Cuba discute reformas econômicas em meio a pressão do embargo dos EUA


Por Redação

17/06/2026  às  10:07:40 | | views 107


@Mehmet Turgut Kirkgoz

Propostas incluem maior autonomia para empresas estatais, mudanças no sistema de subsídios e abertura controlada a investimentos estrangeiros; governo atribui necessidade de ajustes ao cenário externo e a desequilíbrios internos


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O governo de Cuba discute um novo pacote de reformas econômicas e institucionais em um momento de pressão renovada do embargo imposto pelos Estados Unidos e de dificuldades persistentes na economia da ilha.

 

As propostas estão em análise pelo Comitê Central do Partido Comunista, que se reúne nesta quarta-feira (17), e ainda dependem de aprovação da Assembleia Nacional. O conjunto de medidas foi apresentado pelo presidente Miguel Díaz-Canel como parte de um esforço para reorganizar o funcionamento da economia cubana.

 

O plano prevê mudanças na política fiscal e cambial, revisão do sistema de subsídios e maior descentralização na gestão de empresas estatais e governos locais. Também estão previstas alterações nas regras de comércio exterior e ampliação da participação de atores não estatais em determinadas áreas da economia.

 

Entre as mudanças em debate está a substituição gradual de subsídios generalizados por mecanismos mais focalizados, voltados a grupos considerados vulneráveis. O governo afirma que a medida busca tornar o sistema de proteção social mais eficiente em um contexto de restrição de recursos.

 

Díaz-Canel tem defendido que as reformas procuram corrigir o que descreve como limitações do modelo altamente centralizado, aproximando a gestão econômica de práticas adotadas em países como China e Vietnã, que combinam planejamento estatal e mecanismos de mercado.

 

As propostas também ampliam a autonomia de empresas estatais na definição de investimentos, preços internos e relações comerciais, além de permitir maior flexibilidade na gestão de salários e contratos, segundo autoridades cubanas.

 

No setor agrícola, o pacote busca aumentar a produção de alimentos e reduzir áreas improdutivas, enquanto mudanças no comércio exterior podem ampliar o número de entidades autorizadas a operar importações e exportações.

 

O programa inclui ainda uma reestruturação da administração pública, com possível redução de ministérios e cargos, como parte de uma agenda de contenção de custos e simplificação institucional.

 

Paralelamente, o governo propõe ampliar o espaço de atuação de empresas privadas e cooperativas, com regras mais flexíveis para definição de atividades permitidas e incentivo a parcerias com o setor estatal e investidores estrangeiros.

 

As discussões ocorrem em meio ao endurecimento recente de sanções e restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos, segundo autoridades cubanas. Havana atribui parte das dificuldades econômicas ao impacto dessas medidas, que afetam especialmente os setores de energia, comércio exterior e turismo.

 

Washington mantém o embargo econômico contra Cuba há mais de seis décadas. Nos últimos anos, o tema tem sido objeto de disputa diplomática recorrente entre os dois países e de interpretações divergentes sobre seu impacto na economia cubana.

 

As autoridades cubanas afirmam que o pacote de reformas busca preservar políticas sociais históricas do país ao mesmo tempo em que tenta adaptar o modelo econômico a novas condições internas e externas.



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