Exposição no Rio aborda escravidão atlântica e resistência negra
Por Redação
11/11/2025 às 07:37:24 | | views 2369
Mostra internacional reabre parte do Museu Histórico Nacional e reúne acervo de cinco países, com objetos, filmes e imagens que conectam passado e presente da escravidão
O Museu Histórico Nacional (MHN), no Rio de Janeiro, reabre parcialmente suas portas nesta quinta-feira (13) com a exposição Para além da escravidão: construindo a liberdade negra no mundo. A mostra, de entrada gratuita, apresenta cerca de 100 objetos, 250 imagens e dez filmes que retratam a escravidão atlântica e as formas de resistência negra em diferentes países.
Com curadoria compartilhada entre instituições do Brasil, Estados Unidos, África do Sul, Senegal, Inglaterra e Bélgica, a exposição propõe um olhar global sobre o tema. Segundo a historiadora e curadora brasileira Keila Grinberg, professora da Unirio, a ideia é evidenciar tanto a dimensão mundial da escravidão quanto suas repercussões no presente.
“É uma exposição sobre a escravidão atlântica, mas também sobre as suas consequências atuais”, afirma Grinberg. “Ela mostra que as formas de resistência se conectam entre si e que as lutas contra o racismo continuam.”
Entre as peças exibidas estão objetos religiosos e musicais, como um atabaque do Haiti, além de obras que discutem temas contemporâneos, como reparação, justiça ambiental e violência policial. A exposição permanece aberta até 1º de março de 2026.
Mostra itinerante e atividades paralelas
A estreia mundial da exposição ocorreu em dezembro de 2024, no Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, em Washington (EUA). Após o Rio, o projeto seguirá para a Cidade do Cabo (África do Sul), Dakar (Senegal) e Liverpool (Inglaterra).
Em paralelo, o Arquivo Nacional realiza, nos dias 13 e 14, o seminário internacional Para além da escravidão: memória, justiça e reparação. O evento será acompanhado da mostra Senhora Liberdade: mulheres desafiam a escravidão, que reúne documentos do acervo da instituição com histórias de dez mulheres escravizadas que ingressaram na Justiça no século 19. A visitação será gratuita até 30 de abril de 2026.
Outra atividade relacionada acontece no Instituto Pretos Novos, também no Rio, que exibirá Conversas inacabadas, projeto derivado da pesquisa internacional da mostra principal. A exposição estará aberta de 14 de novembro a 15 de dezembro.
Lembrança histórica
Para Keila Grinberg, é simbólico que o Brasil seja o primeiro país a receber a mostra após a exibição nos Estados Unidos. “O Brasil tem uma tradição de estudos muito forte sobre escravidão e liberdade, e essa escolha reconhece a importância internacional dessa produção acadêmica”, afirma.
Segundo a curadora, o país foi o principal destino de africanos escravizados durante o tráfico atlântico, recebendo cerca de 45% do total — cerca de 12 milhões de pessoas, em três séculos.
“A escravidão é central para entender a história do Brasil, mas também é essencial lembrar que ela acabou. É a partir dessa compreensão que podemos pensar em como superar o racismo ainda presente na sociedade”, conclui.
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