Moradores da Penha acham mais corpos após operação no Rio
Por Redação
29/10/2025 às 09:23:57 | | views 2367
Comunidade denuncia cerca de 60 mortos fora da contagem oficial; total pode chegar a 120 na ação mais letal do estado
A Operação Contenção, deflagrada nesta terça-feira (28) pelas forças de segurança do Rio de Janeiro, pode ter um número de mortos muito maior do que o divulgado oficialmente. Moradores do Complexo da Penha afirmam ter encontrado cerca de 60 corpos em uma área de mata, retirados ao longo da madrugada e levados para a Praça São Lucas, no centro da comunidade.
Segundo relatos, os corpos não estão incluídos na contagem oficial de 64 mortos — 60 suspeitos e 4 policiais — divulgada pelo governo do estado. Caso os novos números sejam confirmados, o total de vítimas pode ultrapassar 120 mortos, configurando uma das maiores tragédias da segurança pública brasileira.
O Corpo de Bombeiros iniciou a retirada dos corpos na manhã desta quarta-feira (29), enquanto a Polícia Militar ainda não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias. A comunidade aguarda a chegada do Instituto Médico-Legal (IML) para recolher os corpos, que foram expostos a pedido de familiares e cobertos com lençóis após registro da imprensa.
Durante a noite, outros seis corpos foram encontrados em uma área de mata no Complexo do Alemão e levados para o Hospital Getúlio Vargas. Se confirmada a ausência de duplicidades nas contagens, o total de mortos pode chegar a 130 pessoas — um número sem precedentes em operações policiais no estado.
Medo e críticas à operação
Na terça-feira, moradores do Rio enfrentaram horas de caos e medo. Os Complexos da Penha e do Alemão se tornaram zonas de confronto intenso, enquanto ruas foram bloqueadas e centenas de pessoas ficaram presas no trânsito ou impedidas de voltar para casa.
A professora Jacqueline Muniz, do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), classificou a ação como “uma lambança político-operacional”. Segundo ela, a operação expôs a falta de coordenação entre as forças de segurança e “a persistente lógica da guerra às drogas que só multiplica mortes e não desarticula as facções”.
Movimentos sociais e coletivos de favelas também repudiaram a ação, afirmando que “segurança não se faz com sangue” e cobrando transparência sobre o número real de vítimas e o destino dos corpos encontrados.
Governo defende operação e cobra apoio federal
O governador Cláudio Castro defendeu a operação, afirmando que o estado não recuará diante das facções criminosas. “Se for necessário, vamos exceder os limites para cumprir nossa missão de servir e proteger o nosso povo”, declarou. O governador também anunciou o pedido de transferência de 10 presos para o sistema penitenciário federal e cobrou maior apoio do governo federal.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou em coletiva que não recebeu pedido formal de apoio do governo fluminense para a operação.
Enquanto o governo exalta o que chama de “a maior operação da história do Rio”, a população contabiliza corpos e lutos. Entre a retórica oficial e as denúncias de moradores, o que se revela é mais um capítulo da crise crônica da segurança pública no estado, onde o combate ao crime segue deixando um rastro de violência e desconfiança.
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