Falhas de internet levam 52% dos brasileiros a abandonar atividades online


Por Redação

30/10/2026  às  10:32:41 | | views 70


@kaboompics

Mesmo com expansão da fibra óptica e planos acima de 400 Mb, usuários relatam travamentos em serviços de streaming e chamadas de trabalho; congestionamento é apontado como principal causa


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Ter um plano de internet de alta velocidade não tem impedido brasileiros de enfrentar problemas de conexão. Mais da metade dos usuários (52%) desistiu de alguma atividade online por falhas na rede nos sete dias anteriores a uma pesquisa da Ideafix Pesquisas Corporativas, encomendada pela DE-CIX, empresa que opera pontos de troca de tráfego de internet.

 

O problema aparece mesmo entre consumidores com acesso à fibra óptica e pacotes de maior velocidade. Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados têm fibra em casa e 54% contrataram planos acima de 400 megabits por segundo (Mb). Ainda assim, 47% tiveram problemas com serviços de streaming e 46% enfrentaram travamentos em chamadas de trabalho ou estudo. Um em cada quatro participantes afirmou que a lentidão ocorre diariamente ou várias vezes por semana.

 

Na avaliação dos consumidores, o principal problema não está na velocidade contratada. A sobrecarga da rede foi apontada por 34% dos entrevistados como causa das falhas, seguida pela infraestrutura inadequada na região onde moram, com 28%, e por problemas no Wi-Fi doméstico, com 24%. Apenas 15% atribuíram a dificuldade à velocidade insuficiente do plano.

 

A percepção sobre a qualidade do serviço também revela insatisfação. Embora 89% considerem a conexão estável ou muito estável, somente 60% dizem receber uma qualidade compatível com o preço pago. Em uma escala de 1 a 5, a sensação de terem sido enganados ao contratar um plano de alta velocidade que continua apresentando travamentos recebeu nota média de 4.

 

Para Darwin da Costa, diretor regional da DE-CIX para o Brasil e a América do Sul, a velocidade anunciada pelas operadoras não determina, sozinha, a qualidade da conexão. O desempenho depende também da latência, do congestionamento e do trajeto percorrido pelos dados entre os servidores e o dispositivo do usuário.

 

"Velocidade e largura de banda são apenas parte da equação", afirmou o executivo. Ele aponta a interconexão entre redes e o chamado peering, que permite a troca direta de tráfego entre provedores, como alternativas para reduzir o percurso dos dados e melhorar o desempenho dos serviços digitais.

 

A insatisfação tem impacto sobre uma rotina cada vez mais dependente da internet. A pesquisa mostra que 98% dos entrevistados acessam a rede diariamente, enquanto 60% passam mais de quatro horas por dia conectados em atividades pessoais. Redes sociais e navegação são utilizadas por 82%, e serviços de streaming, por 76%.

 

A frustração com falhas de conexão recebeu nota média de 8, em uma escala de 1 a 10. Entre as mulheres, o índice chegou a 8,3. Quase metade dos participantes (48%) afirmou ter menos tolerância à instabilidade do que há cinco anos.

 

Os jovens de 18 a 24 anos são os que mais relatam prejuízos: 68% disseram ter abandonado alguma atividade online por problemas de conexão. Entre os profissionais que trabalham remotamente, 20% enfrentam lentidão diariamente.

 

Na tentativa de contornar as falhas, os usuários costumam recorrer a soluções próprias. Verificar o roteador ou o Wi-Fi é a primeira reação de 48% dos entrevistados. Outros 44% reiniciam o aplicativo ou dispositivo, enquanto 35% atualizam a página. Apenas um em cada quatro procura inicialmente o suporte técnico da operadora.

 

A estabilidade também começa a pesar na escolha do provedor. O custo-benefício continua sendo o principal critério para contratar ou trocar de plano, citado por 54% dos participantes. Em seguida aparecem a rapidez no carregamento de sites e aplicativos (49%) e a estabilidade da conexão (48%).

 

Questionados sobre um serviço hipotético com garantia de ausência de travamentos, 45% afirmaram que trocariam de operadora para ter acesso ao benefício. Outros 38% aceitariam contratar um plano com velocidade máxima menor em troca de uma conexão mais estável. Entre consumidores de 35 a 44 anos, a disposição para mudar de provedor chegou a 52%.

 

Para a DE-CIX, os resultados reforçam a necessidade de investimentos que vão além da ampliação da velocidade dos pacotes. A empresa defende melhorias na infraestrutura de interconexão entre redes, provedores de conteúdo e serviços de nuvem, com o objetivo de reduzir congestionamentos e aproximar os dados dos usuários.

 

O levantamento ouviu 600 pessoas com acesso à internet em todo o Brasil, entre 17 de agosto e 2 de setembro de 2026. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de quatro pontos percentuais.



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