IA avança nas empresas, mas integração à estratégia ainda trava


Por Redação

07/10/2026  às  13:24:43 | | views 69


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Adoção cresce no Brasil e no exterior, enquanto falta de capacitação, governança e integração de dados limita expansão da tecnologia


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A inteligência artificial já entrou na rotina de uma parcela crescente das empresas, mas transformar ferramentas de IA em parte efetiva da estratégia de negócios ainda é um desafio. No Brasil, 17% das empresas declararam utilizar a tecnologia, percentual que chega a 50% entre os grandes negócios, segundo dados do Cetic.br. No mercado global, 88% das organizações afirmam usar inteligência artificial em pelo menos uma função, de acordo com a McKinsey & Company.

 

A distância entre experimentar a tecnologia e incorporá-la à operação aparece em outro levantamento. Segundo o 2025 Work Trend Index Annual Report, da Microsoft, apenas 24% dos líderes empresariais dizem que a IA já foi implementada de forma abrangente em suas organizações.

 

O cenário indica que a discussão nas empresas começa a mudar de foco. Depois de uma primeira fase marcada pela experimentação de ferramentas de IA generativa, companhias passam a enfrentar questões relacionadas à integração com sistemas existentes, qualidade e governança dos dados, capacitação de profissionais e definição de quais processos devem ser automatizados.

 

Os ganhos potenciais ajudam a explicar o movimento. Os estudos citados apontam impactos em produtividade, eficiência operacional e suporte à tomada de decisões. Mas a adoção de ferramentas isoladas não garante, por si só, que esses ganhos se convertam em resultados financeiros ou operacionais.

 

É nesse espaço entre experimentação e implementação que surgem programas voltados à estruturação do uso corporativo da IA. Um deles é o Scale AI, lançado pela startup brasileira Marvee para empresários e gestores. A proposta é trabalhar a aplicação da tecnologia de forma integrada a áreas como marketing, vendas, operações e análise de dados.

 

O programa prevê 25 encontros ao longo de um ano com líderes de diferentes áreas da própria Marvee. Segundo a empresa, a metodologia parte de processos que já são utilizados internamente e busca adaptá-los à realidade das empresas participantes.

 

Entre os temas estão automação de processos, geração de demanda, análise de dados, construção de bases de conhecimento e criação de fluxos automatizados. A empresa também inclui na metodologia discussões sobre capacitação e governança.

 

“O desafio agora é sair das aplicações isoladas e construir uma estratégia que conecte a tecnologia aos objetivos de crescimento da empresa”, afirma Manoel Victor, CEO da Marvee.

 

A avaliação acompanha uma dificuldade recorrente na adoção corporativa de IA: definir onde a tecnologia efetivamente agrega valor. Uma ferramenta que acelera uma tarefa, por exemplo, pode gerar pouco impacto se o processo como um todo continuar dependendo de etapas manuais, sistemas desconectados ou decisões que não utilizam os dados produzidos.

 

Para a Marvee, a IA deve ser incorporada à estrutura de gestão para apoiar decisões, automatizar processos e reduzir custos. A empresa também defende que o uso da tecnologia seja acompanhado por modelos de governança capazes de estabelecer critérios para sua aplicação.

 

Segurança e governança ganham peso

À medida que a IA deixa o campo dos testes e passa a acessar dados e executar tarefas dentro das organizações, aumentam também os desafios relacionados à segurança da informação.

 

A integração de ferramentas de inteligência artificial a bases corporativas exige definir quais dados podem ser utilizados, quem terá acesso às informações e como serão monitoradas as respostas e ações produzidas pelos sistemas. A capacitação das equipes também passa a ser relevante para reduzir erros de uso e estabelecer limites para decisões automatizadas.

 

Nesse contexto, a expansão da IA corporativa não depende apenas da disponibilidade de ferramentas. O desafio passa pela capacidade das empresas de reorganizar processos, preparar profissionais e estabelecer regras para que a tecnologia seja incorporada sem ampliar riscos operacionais e de segurança.

 

A mudança ajuda a explicar por que, apesar do avanço da adoção, uma parcela menor das empresas afirma ter conseguido implementar a IA de maneira abrangente. O próximo estágio da transformação, portanto, não é apenas colocar mais ferramentas de inteligência artificial à disposição dos funcionários, mas decidir onde, como e sob quais controles elas devem ser usadas.



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