Mais mulheres, pouca equidade no Congresso Nacional
Por Redação
06/10/2026 às 08:10:13 | | views 29
Congresso terá recorde de deputadas e senadoras, mas presença feminina ainda ficará longe da paridade e não garante avanço de pautas sobre mulheres
A próxima legislatura terá a maior presença feminina da história do Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, serão 109 mulheres, contra 90 eleitas em 2022, um aumento de 21%.
O resultado chama atenção também porque ocorreu em meio à redução no número de candidatas. Em 2022, 3.317 mulheres disputaram uma vaga de deputada federal. Neste ano, foram 2.820.
No Senado, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa. É o maior número desde a redemocratização. Com as novas eleitas, a Casa passará a ter 18 senadoras entre 81 parlamentares, o equivalente a 22,2%.
Na Câmara, porém, as mulheres continuarão sendo pouco mais de um quinto dos deputados: 109 das 513 cadeiras.
Recorde ainda não é equidade
O crescimento da bancada feminina é expressivo, mas a composição do Congresso continuará majoritariamente masculina.
A federação formada por PT, PCdoB e PV foi a que elegeu mais mulheres para a Câmara, com 34 das 109 deputadas. No Senado, o Distrito Federal terá três senadoras. Já o Piauí continua sendo o único estado que nunca elegeu uma mulher para a Casa.
Os números também revelam diferenças quando gênero e raça são analisados conjuntamente.
Pelo menos 15 mulheres negras foram eleitas para a Câmara, segundo levantamento da organização Mulheres Negras Decidem. Em 2022, haviam sido nove. O crescimento foi de 66,6%.
Para Tainah Pereira, coordenadora política da organização, outro aspecto chama atenção: muitas das eleitas são jovens. Na avaliação dela, o resultado representa uma renovação da representação feminina e negra no Congresso.
No Senado, entretanto, o cenário é outro. Nenhuma das 12 mulheres eleitas neste ano é negra.
A senadora Eliziane Gama (PT), que é autodeclarada negra, não foi reeleita pelo Maranhão. Mariana Silva (Rede), candidata por São Paulo, e Benedita da Silva (PT), que disputou uma vaga pelo Rio de Janeiro, também ficaram fora.
Benedita foi a primeira mulher negra eleita para o Senado, em 1998. Desde então, apenas quatro mulheres negras ocuparam uma cadeira na Casa.
Mais mulheres não significa uma só agenda
O aumento da bancada feminina também não permite concluir que haverá, automaticamente, maior apoio a pautas feministas ou a políticas de igualdade entre homens e mulheres.
A cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que as mulheres eleitas têm posições políticas e econômicas distintas. Segundo ela, algumas podem defender perspectivas diferentes — inclusive posições que não priorizem políticas de igualdade de gênero.
A presença feminina, portanto, é um indicador de representação, mas não determina o comportamento dos parlamentares.
O que poderá medir o impacto dessa nova composição será a atuação ao longo da legislatura: os projetos apresentados, as votações e as posições adotadas em temas que afetam diretamente a vida das mulheres.
O Congresso terá mais mulheres a partir do próximo ano. A questão que permanece é quanto essa mudança numérica representará, na prática, em participação, diversidade e resultados.
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