EUA prometem sanções “mais severas da história” contra o Irã


Por Redação

21/08/2026  às  08:53:05 | | views 56


@Tawseef Ahmad

Secretário do Tesouro americano diz que novas medidas podem reduzir a necessidade de uma nova operação militar; China critica política de pressão sobre Teerã


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O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira (20) que o governo americano prepara “as sanções mais severas da história” contra o Irã. Segundo ele, a pressão econômica poderá reduzir a necessidade de uma nova operação militar de grande escala.

 

A declaração foi feita um dia depois do presidente Donald Trump ameaçar impor uma “guerra econômica” ao Irã e advertir que países que oferecessem “qualquer tipo de apoio vital” ao país também enfrentariam consequências. Bessent disse que os detalhes das novas medidas serão apresentados na próxima segunda-feira (24).

 

A ameaça fez o preço do petróleo subir nesta quinta-feira para o maior nível em mais de três semanas. O mercado acompanha os possíveis efeitos da disputa sobre a oferta de petróleo do Oriente Médio, em um momento de restrições ao tráfego marítimo na região.

 

“Não sei ao certo por que o petróleo reagiu a isso”, disse Bessent à CNBC. Para o secretário, uma estratégia de “máxima pressão econômica” indicaria que os Estados Unidos não pretendem retomar uma operação militar de grande escala.

 

“Se estamos exercendo a máxima pressão econômica, isso significa que provavelmente não haverá um reinício cinético em grande escala”, afirmou, usando um termo empregado para designar o uso da força militar.

 

O conflito, que se estende há quase seis meses, deixou milhares de mortos e afetou países do Golfo. A capacidade do Irã de restringir o tráfego pelo Estreito de Ormuz também provocou preocupação nos mercados internacionais. Antes da escalada, a rota era utilizada para transportar cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.

 

Os Estados Unidos e o Irã anunciaram acordos de cessar-fogo em abril e junho, numa tentativa de restabelecer o fluxo de navios pelo estreito e abrir caminho para o fim do conflito. Os dois acordos, porém, fracassaram rapidamente.

 

Sanções

O Irã enfrenta sanções americanas há quase cinco décadas, desde a Revolução Islâmica de 1979. A nova ofensiva anunciada por Washington amplia uma política de pressão econômica que já atingiu setores importantes da economia iraniana.

 

Antes da declaração de Bessent, o Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou as sanções americanas e as classificou como “terrorismo econômico”. Segundo o governo iraniano, as medidas não diminuiriam a determinação do país em defender sua independência, dignidade e soberania.

 

Bessent afirmou que apresentará na segunda-feira os detalhes do novo pacote.

 

“É um golpe duplo. Temos o bloqueio e vamos impor as sanções mais duras da história”, disse o secretário, em referência ao bloqueio naval americano imposto ao Irã em abril e suspenso por cerca de um mês em meados de junho.

 

Bessent também afirmou que a política de pressão poderá levar à queda do governo iraniano e cobrou dos aliados dos Estados Unidos uma decisão sobre a adesão à estratégia.

 

China deve sentir a pressão norte-americana

A China será um dos principais pontos de pressão para a estratégia americana. Dados da consultoria Kpler mostram que mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã teve a China como destino em 2025.

 

Uma eventual tentativa de punir empresas chinesas que mantenham negócios com Teerã, no entanto, poderia abrir uma nova frente de conflito entre Washington e Pequim. Os dois países já disputam influência em setores estratégicos, e a China é uma importante fornecedora de minerais essenciais aos Estados Unidos, entre eles as terras raras.

 

Questionado sobre a possibilidade de adotar medidas contra a China, Bessent afirmou que parte das conversas deveria ocorrer em privado. O secretário disse ainda que a dependência chinesa do petróleo produzido no Golfo deveria levar Pequim a apoiar a estratégia americana.

 

A embaixada chinesa em Washington rejeitou a política de sanções. Segundo um porta-voz, “sanções e pressão não ajudam a resolver o problema”.

 

“A China exorta as partes envolvidas a adotarem medidas responsáveis e a resolverem a questão por meios políticos e diplomáticos”, afirmou.

 

Impopularidade Trump

A ofensiva econômica ocorre enquanto Trump enfrenta pressão interna para encerrar um conflito que se tornou impopular. A alta dos preços dos combustíveis tem afetado a aprovação do presidente e pode pesar sobre o desempenho dos republicanos nas eleições de meio de mandato, em novembro.

 

Em uma publicação nas redes sociais na quarta-feira (19), Trump prometeu uma “guerra econômica e isolamento em uma escala sem precedentes”. Ele não detalhou quais medidas seriam adotadas nem identificou os países que poderiam ser atingidos.

 

O presidente afirmou, porém, que qualquer país que permitisse que instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos públicos oferecessem “qualquer tipo de apoio vital” ao Irã sofreria “consequências econômicas tremendas”.

 

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou Trump de tentar desviar a atenção dos problemas econômicos americanos, entre eles a dívida recorde e a elevação dos juros.

 

Para Araqchi, a insistência de Washington em políticas que Teerã considera fracassadas deverá produzir novos fracassos e aumentar o distanciamento entre os dois países.

 

Trump já fez ameaças semelhantes nas redes sociais que posteriormente não foram executadas nos termos anunciados. O alcance e a aplicação das novas sanções deverão ficar mais claros após a apresentação do pacote pelo Tesouro na próxima semana.



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