Segurança pública abre novo mercado para tecnologia, dados e inteligência artificial
Por Redação
12/08/2026 às 14:03:02 | | views 51
COP International reúne em São Paulo autoridades e empresas em busca de soluções para modernizar operações, gestão e resposta a problemas de segurança
A modernização da segurança pública está ampliando o espaço para empresas de tecnologia, equipamentos e serviços especializados no mercado brasileiro. Esse movimento está no centro da sexta edição do COP International, que começou nesta terça-feira (11), no São Paulo Expo, em São Paulo, reunindo representantes do poder público, forças de segurança, especialistas e empresas do setor.
Ao longo de três dias, o evento coloca no mesmo ambiente gestores responsáveis por políticas públicas e orçamento, profissionais que atuam nas operações e companhias que desenvolvem soluções para segurança. A programação inclui discussões sobre inteligência artificial, análise de dados, cibersegurança, inteligência policial, integração de sistemas, equipamentos e gestão de recursos.
A aproximação entre demanda pública e oferta privada é uma das principais características do encontro. Para as empresas, o evento funciona como espaço para apresentar tecnologias e serviços; para os órgãos de segurança, como oportunidade de conhecer soluções e discutir sua aplicação em situações concretas.
“O maior valor dessa feira reside também no maior valor para qualquer instituição: as pessoas. Aqui se reúnem as mais variadas instituições policiais, fabricantes de equipamentos e tecnologia, representantes comerciais, mas que têm mais valor quando avançam em colaboração”, afirmou Anchieta Nery, diretor de Operações Integradas e Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
Segundo Nery, a troca entre instituições permite compartilhar experiências, avaliar práticas já utilizadas e discutir melhorias na atuação do Estado.
Tecnologia aproxima empresas das forças de segurança
A transformação tecnológica é um dos principais eixos do COP neste ano. A programação inclui o DTECH, congresso realizado dentro do evento e dedicado à aplicação de tecnologia na defesa e no poder público.
Entre os temas estão inteligência artificial, dados, inteligência investigativa, interoperabilidade, defesa digital e cibersegurança, além de modelos de parceria entre governo e iniciativa privada.
A proposta é aproximar fornecedores das necessidades encontradas pelas forças de segurança, em um mercado no qual a adoção de novas tecnologias depende não apenas de inovação, mas também de planejamento, orçamento, contratação e capacidade de integração aos sistemas existentes.
Camilla Pintarelli, diretora de Gestão do Fundo Nacional de Segurança Pública, destacou a relação entre tecnologia, gestão e recursos. Durante o COP, representantes das redes interfederativas do Fundo Nacional de Segurança Pública participam de discussões sobre planejamento, orçamento, contratações, logística e transferência de recursos.
Essa conexão coloca a gestão pública no centro da discussão sobre inovação. Para as empresas interessadas nesse mercado, compreender os processos de decisão, as necessidades dos órgãos e os mecanismos de financiamento é parte relevante da estratégia de negócios.
Jean Nunes, secretário de Segurança Pública da Paraíba e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (CONSESP), afirmou que a presença de empresas amplia as possibilidades de cooperação.
“É uma grande oportunidade de interação, principalmente com os parceiros do Ministério da Justiça, dos nossos colegiados e de todos os órgãos operativos da segurança”, disse.
Mercado exige integração
A demanda por tecnologia não se limita à aquisição de equipamentos. Um dos desafios apresentados no evento é fazer diferentes sistemas e instituições trabalharem de maneira integrada.
Essa necessidade abre espaço para soluções de dados, comunicação, inteligência e gestão capazes de conectar estruturas que historicamente operam de forma mais segmentada.
É nesse ponto que o COP busca aproximar fabricantes, empresas de tecnologia e prestadores de serviços dos responsáveis pela operação das forças de segurança. A ideia é que a inovação esteja relacionada a problemas concretos da atividade policial, e não apenas à apresentação de novos produtos.
A comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Glauce Anselmo Cavalli, destacou essa aproximação. “O congresso se consagrou como uma grande oportunidade de encontro dos aplicadores de segurança pública, seja pelos painéis, com temas relevantes de estudo, seja pela proximidade com novas tecnologias, novos equipamentos e novas soluções de todas as forças policiais”, afirmou.
Inteligência artificial amplia possibilidades
A inteligência artificial ocupa espaço crescente entre as tecnologias apresentadas no evento. A incorporação de ferramentas capazes de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e apoiar a tomada de decisões amplia as possibilidades de aplicação em segurança.
A tecnologia, porém, deixa de estar restrita à atividade policial. Soluções de monitoramento, análise de riscos, proteção patrimonial, gestão de ocorrências e resposta a emergências também encontram aplicações no setor privado.
Esse movimento aproxima os mercados de segurança pública e corporativa e aumenta a demanda por ferramentas capazes de transformar dados em informação útil para gestores e equipes operacionais.
Cooperação internacional
A internacionalização também ganhou espaço na abertura. David Rausch, presidente da International Association of Chiefs of Police (IACP), participou da solenidade e destacou a parceria da entidade com o COP.
A programação prevê a assinatura de um termo de cooperação entre as duas organizações, além de uma palestra de Rausch sobre tecnologia e gestão na segurança pública.
A aproximação amplia o intercâmbio de experiências e pode favorecer a circulação de soluções e modelos de gestão utilizados em outros países.
Equipamentos e cadeia de fornecimento
Outro eixo do evento é a COMABE (Câmara Técnica dos Oficiais de Material Bélico), que ocorre nos dias 12 e 13 de agosto.
O encontro reúne profissionais ligados à gestão de materiais bélicos das Polícias Militares e aborda temas como sistemas de comunicação, armas, uniformes e equipamentos, além de tecnologias destinadas às operações.
A programação evidencia a dimensão da cadeia de fornecedores que atende o setor de segurança pública, que vai de fabricantes de equipamentos a empresas de software, comunicação, infraestrutura, análise de dados e serviços especializados.
Governo e iniciativa privada
Com representantes dos governos federal, estadual e municipal, das polícias, do sistema penitenciário, dos Corpos de Bombeiros e da indústria, o COP International se posiciona como um ponto de encontro entre demanda pública e mercado.
A presença de entidades nacionais ligadas às diferentes forças de segurança amplia o alcance das discussões e aproxima empresas dos responsáveis pela formulação de políticas, gestão de recursos e operação dos serviços.
Mais do que concentrar autoridades e especialistas, o evento expõe uma transformação no setor: a tecnologia passou a ocupar papel central nas estratégias de segurança, enquanto empresas são chamadas a desenvolver soluções capazes de responder a problemas cada vez mais complexos.
Para o mercado corporativo, o principal movimento está nessa convergência. De um lado, governos e instituições que precisam modernizar estruturas e melhorar sua capacidade de resposta; de outro, uma indústria que busca transformar inovação em soluções aplicáveis e negócios de longo prazo.
Evento segue até quinta-feira
O COP International segue até esta quinta-feira (13), no São Paulo Expo, em São Paulo. Ainda há tempo para acompanhar as novidades tecnológicas apresentadas para o mercado de segurança, incluindo soluções que incorporam inteligência artificial a sistemas de análise, monitoramento, gestão e tomada de decisão.
A adoção dessas ferramentas amplia as possibilidades de atuação diante de problemas que vão além da atividade policial, alcançando prevenção, gestão de riscos, proteção patrimonial, segurança corporativa e resposta a emergências.
Para empresas e gestores interessados no setor, os últimos dias do evento concentram justamente essa aproximação entre tecnologia e aplicação prática — uma oportunidade para conhecer soluções que começam a mudar a forma como o mercado responde aos desafios de segurança pública e privada.
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