Violência escancara desigualdade entre cidades da Grande SP


Por Redação

05/08/2026  às  07:14:28 | | views 66



Estudo aponta municípios com taxa de homicídios zerada e outros que chegam a 16,3 mortes por 100 mil habitantes; diferenças também aparecem em saneamento, saúde, educação e habitação


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A violência na Região Metropolitana de São Paulo varia na mesma proporção das desigualdades sociais e de acesso a serviços públicos. Enquanto Biritiba Mirim e São Lourenço da Serra não registraram homicídios no período analisado, Pirapora do Bom Jesus teve taxa de 16,3 mortes por 100 mil habitantes, a maior entre os 39 municípios da Grande São Paulo.

 

Os dados fazem parte da primeira edição do Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana de São Paulo, estudo da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Cidades Sustentáveis que será lançado nesta quinta-feira (6). O levantamento reúne 40 indicadores sobre segurança pública, saúde, educação, habitação, saneamento, mobilidade, renda e infraestrutura.

 

Na área de segurança pública, o estudo também compara indicadores de feminicídio, violência contra a população LGBTQIA+ e a diferença nas taxas de homicídios entre pessoas pretas e pardas e a população branca e amarela.

 

A pesquisa mostra que os indicadores de violência acompanham um cenário mais amplo de desigualdade territorial. Municípios que registram piores resultados em segurança também apresentam déficits em áreas essenciais, como saneamento, mobilidade, educação e saúde.

 

Na classificação geral, São Caetano do Sul aparece na liderança, com o melhor desempenho entre os 39 municípios avaliados. Na outra ponta está Pirapora do Bom Jesus, seguida por Francisco Morato, Juquitiba, Itapecerica da Serra e Embu das Artes. A capital paulista ocupa a 16ª posição.

 

Os contrastes aparecem em praticamente todos os indicadores. Em Juquitiba, apenas 19,5% da população é atendida por rede de esgoto, enquanto Poá, Santo André e Taboão da Serra atingem cobertura total. Em São Lourenço da Serra e Juquitiba, menos da metade dos moradores tem acesso ao abastecimento de água.

 

Na saúde, a diferença na idade média ao morrer chega a 16 anos. Em São Caetano do Sul, a média é de 76 anos; em Francisco Morato, de 60 anos. A cobertura vacinal também oscila de 99,8%, em Vargem Grande Paulista, para 29%, em Rio Grande da Serra.

 

O levantamento mostra ainda que trabalhadores de baixa renda gastam mais tempo nos deslocamentos diários. Em Francisco Morato, 52% das pessoas que recebem menos de meio salário mínimo levam mais de uma hora para chegar ao trabalho. Na capital paulista, o índice é de 37%.

 

Na educação, apenas dois em cada três jovens de 18 e 19 anos concluíram o ensino médio na região. Em habitação, Mauá lidera a proporção de moradores em favelas e comunidades urbanas, com 27,5% da população.

 

Segundo Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Cidades Sustentáveis, o diagnóstico evidencia que municípios vizinhos convivem com níveis muito distintos de acesso a direitos e serviços públicos, o que reforça a necessidade de planejamento integrado entre as administrações municipais e os governos estadual e federal.

 

O estudo foi elaborado com base em dados públicos de órgãos como IBGE, DataSUS, Inep e Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) e pretende servir de referência para a definição de prioridades em políticas públicas na região metropolitana.



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