Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua e aprofunda guinada autoritária
Por Redação
21/07/2026 às 13:34:44 | | views 139
Presidente afirma que país não terá novos pleitos e amplia concentração de poder após reformas que fortaleceram seu governo e o de Rosario Murillo
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não realizará mais eleições, em uma declaração que sinaliza uma nova etapa de concentração de poder no país centro-americano. O anúncio foi feito no domingo (20), durante um discurso em comemoração à Revolução Sandinista de 1979, mas o governo não apresentou detalhes sobre como a medida seria aplicada.
"Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder", declarou Ortega, ao afirmar que partidos opositores não voltarão ao comando da Nicarágua.
A declaração ocorre após anos de restrições ao espaço político e de mudanças institucionais que ampliaram o controle do casal Ortega-Murillo sobre o Estado. Daniel Ortega governa o país de forma ininterrupta desde 2007, depois de já ter ocupado a Presidência entre 1985 e 1990.
Em 2024, reformas constitucionais aprovadas pelo governo ampliaram os poderes do Executivo, aumentaram o mandato presidencial de cinco para seis anos e estabeleceram Rosario Murillo, esposa de Ortega, como "copresidente". O casal passou a exercer influência sobre os principais órgãos do Estado, incluindo as Forças Armadas e o Judiciário.
A última eleição presidencial nicaraguense, realizada em 2021, foi marcada por denúncias de falta de competitividade. Antes do pleito, autoridades prenderam candidatos opositores, líderes empresariais e críticos do governo. Ortega venceu a eleição, mas o resultado foi rejeitado por organizações internacionais e governos estrangeiros.
A crise política no país se intensificou em 2018, após uma onda de protestos contra o governo. A repressão das manifestações deixou centenas de mortos, segundo organismos internacionais, e provocou uma das maiores ondas migratórias recentes da América Central.
O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas acusa o governo Ortega-Murillo de transformar a Nicarágua em um Estado autoritário e de cometer violações sistemáticas de direitos humanos. O governo nicaraguense rejeita as acusações e afirma que enfrenta tentativas externas de interferência política.
A declaração sobre o fim das eleições representa um novo desafio para a oposição e para a comunidade internacional, que acompanham o avanço das medidas de controle político adotadas por Manágua nos últimos anos.
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