Pesquisa aponta que 55% dos moradores do Sudeste temem impacto da IA no emprego
Por Redação
21/07/2026 às 09:04:13 | | views 109
Levantamento da Febraban mostra que região concentra o maior percentual de brasileiros que veem a inteligência artificial como ameaça ao mercado de trabalho
Mais da metade da população do Sudeste acredita que o avanço da inteligência artificial pode reduzir empregos e oportunidades de trabalho. É o que aponta a 19ª edição da Pesquisa Observatório Febraban, realizada pelo IPESPE, segundo a qual 55% dos entrevistados na região demonstram preocupação com os efeitos da tecnologia sobre o mercado de trabalho.
O índice é o mais alto do país e supera os registrados no Norte (51%), Nordeste (50%), Centro-Oeste (49%) e Sul (37%).
Apesar da preocupação, parte dos entrevistados avalia que a inteligência artificial também pode trazer benefícios. No Sudeste, 42% afirmaram que a tecnologia representa riscos e oportunidades na mesma medida. Outros 25% acreditam que ela oferece mais oportunidades do que riscos, enquanto 19% veem um cenário predominantemente negativo.
A pesquisa também indica que a inteligência artificial já faz parte da rotina da maior parte da população da região. Segundo o levantamento, 93% dos entrevistados disseram já ter ouvido falar da tecnologia, percentual ligeiramente acima da média nacional, de 92%. Entre os moradores do Sudeste, 69% afirmaram já ter utilizado ferramentas de IA e o mesmo percentual disse ter tido contato com esse tipo de tecnologia.
Entre aqueles que ainda não utilizam a inteligência artificial, o principal motivo é o receio de cometer erros ou receber informações falsas, apontado por 25% dos entrevistados. Outros 20% afirmaram não saber como usar a tecnologia.
A busca por informações e o esclarecimento de dúvidas aparecem como a principal finalidade de uso da IA, mencionada por 62% dos usuários. Em seguida aparecem a criação de imagens e vídeos (14%) e o apoio aos estudos (9%). O ganho de tempo foi apontado como o principal benefício esperado da tecnologia, citado por 40% dos entrevistados, seguido da possibilidade de aprender coisas novas, com 30%.
Para o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, responsável pela análise do levantamento, os resultados refletem o momento de transição vivido pelo país, marcado pelo avanço da inteligência artificial e pelas discussões sobre a regulamentação da tecnologia e seus impactos sobre o mercado de trabalho.
“A pesquisa traz um cenário compatível com o estágio atual do debate no país. Ainda estamos discutindo um marco legal específico para a inteligência artificial, e órgãos como a ANPD, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, vêm testando instrumentos regulatórios voltados à IA e à proteção de dados”, afirma Lavareda.
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