Tarifas dos EUA levam Brasil a acionar reciprocidade e ampliam disputa comercial


Por Redação

16/07/2026  às  07:27:59 | | views 106


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Governo brasileiro contesta investigação norte-americana e anuncia reação com base na Lei de Reciprocidade e nos mecanismos da OMC; embate se concentra nas relações comerciais entre os dois países


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O governo brasileiro anunciou que vai acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) após a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada nesta quarta-feira (15), passa a valer a partir do próximo dia 22 e tem como base investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

 

Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República afirmou que o Brasil não reconhece a legitimidade da investigação norte-americana por considerar que ela não encontra respaldo nas regras multilaterais de comércio. Segundo o governo, não há justificativa técnica ou jurídica para a adoção de medidas unilaterais contra o país.

 

O comunicado informa que o governo iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, além de retomar a discussão no mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

 

Investigação norte-americana

A decisão dos Estados Unidos decorre de investigação iniciada há cerca de um ano pelo USTR. O órgão concluiu que determinadas políticas brasileiras oneram ou restringem o comércio envolvendo agricultores, trabalhadores, exportadores e empresas norte-americanas.

 

Entre os pontos apontados pelo relatório estão regras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, políticas anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.

 

Contestação brasileira

Na resposta oficial, o governo brasileiro rejeitou as conclusões da investigação e contestou as críticas ao Pix, à regulamentação das plataformas digitais e às políticas ambientais.

 

O Executivo também destacou que, durante audiências públicas promovidas pelo USTR na semana anterior, representantes do setor privado dos dois países manifestaram posição majoritariamente contrária à adoção das novas tarifas.

 

A nota ainda cita dados do próprio governo norte-americano segundo os quais os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões na balança de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Segundo o governo brasileiro, em 2025 cerca de 76% das importações originárias dos EUA ingressaram no país sem incidência de imposto de importação, enquanto a alíquota média efetiva aplicada aos produtos norte-americanos foi de 3,1%.

 

Política comercial e relações econômicas

Ao anunciar as medidas de reação, o governo informou que pretende reduzir os impactos das tarifas sobre os setores produtivos e ampliar a diversificação de mercados para as exportações brasileiras.

 

Embora o comunicado oficial faça referência ao "Plano Brasil Soberano", a controvérsia está inserida no campo das relações econômicas e comerciais internacionais. No direito constitucional e no direito internacional, soberania diz respeito à autoridade do Estado e, nas democracias, à legitimidade exercida por meio das instituições que representam a vontade popular. Já a imposição de tarifas, a adoção de medidas de reciprocidade e os mecanismos de solução de controvérsias da OMC constituem instrumentos de política comercial utilizados nas relações entre Estados e disciplinados por acordos internacionais.

 

A disputa comercial também é acompanhada pela área de segurança institucional, uma vez que sanções econômicas, restrições comerciais e medidas de reciprocidade são consideradas instrumentos de pressão entre Estados, com potencial para afetar cadeias produtivas, investimentos, empregos e a estabilidade das relações bilaterais.



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