Violência contra crianças persiste no ambiente familiar, aponta pesquisa


Por Redação

14/07/2026  às  20:45:54 | | views 57


@João Saplak

Levantamento mostra que maioria defende o diálogo na educação, mas agressões físicas e verbais seguem presentes no ambiente familiar


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Apesar de a maioria dos brasileiros defender o diálogo como principal forma de educar crianças, a violência física e verbal ainda faz parte da rotina de muitas famílias. É o que revela uma pesquisa realizada pela Quaest, a pedido do Instituto Infinis, divulgada nesta semana.

 

Segundo o levantamento, nove em cada dez entrevistados afirmam que conversar é a melhor maneira de corrigir o comportamento infantil. No entanto, 62% admitiram já ter gritado com uma criança, 49% disseram ter dado tapas e 27% afirmaram ter utilizado objetos para agredi-la.

 

Os dados são divulgados em um momento em que os casos de violência contra crianças e adolescentes continuam preocupando as autoridades. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Brasil registrou 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes entre janeiro e abril de 2026.

 

A pesquisa também investigou a reação da população diante de episódios de violência. Entre os entrevistados, 62% afirmaram que não costumam intervir ao presenciar agressões contra crianças. Desse grupo, metade considera que se trata de uma questão privada, enquanto outros disseram temer a reação do agressor.

 

Outro tema abordado foi o trabalho infantil. Embora 93% dos participantes considerem que os estudos devem ser prioridade durante a infância, 61% disseram considerar aceitável que crianças trabalhem. Entre os adolescentes, 88% defendem que eles possam trabalhar se desejarem e 71% entendem que isso deve ocorrer quando houver decisão dos pais.

 

O levantamento também apontou baixo conhecimento da população sobre a legislação de proteção à infância. Segundo a pesquisa, 71% dos entrevistados não souberam citar normas voltadas à garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

 

Esta é a segunda edição do estudo sobre atitudes e percepções relacionadas à infância e à violência contra crianças e adolescentes. Em comparação com a pesquisa realizada em 2023, houve redução na proporção de pessoas que admitiram utilizar objetos para agredir crianças — de 38% para 27%. Já os índices de gritos e tapas permaneceram elevados.

 

A pesquisa ouviu 2.202 brasileiros com 16 anos ou mais entre maio e junho de 2026. A íntegra do levantamento será apresentada em setembro durante o 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância.



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