Inadimplência no exterior impulsiona busca por seguro de crédito à exportação


Por Redação

14/07/2026  às  12:10:35 | | views 138


@Simon R. Minshall

Levantamento aponta que 45% das empresas brasileiras exportadoras esperam aumento do risco de calote nos próximos 12 meses, em meio às tensões geopolíticas e mudanças no comércio global


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As incertezas no comércio internacional e o aumento dos riscos geopolíticos têm levado empresas brasileiras a reforçar mecanismos de proteção nas vendas ao exterior. Um levantamento da Allianz Trade mostra que 45% dos exportadores do país esperam um aumento da inadimplência nas operações internacionais nos próximos 12 meses.

 

O cenário acompanha uma tendência global. Segundo a pesquisa Allianz Trade Global Survey 2026, 65% das empresas exportadoras apontam os riscos geopolíticos e políticos como a principal ameaça aos negócios internacionais. No levantamento anterior, a maior preocupação era a complexidade das cadeias de suprimentos.

 

Entre os fatores que elevam o risco para os exportadores estão conflitos internacionais, instabilidade econômica, restrições cambiais e dificuldades financeiras enfrentadas por compradores estrangeiros.

 

Proteção para vendas internacionais

Nesse contexto, o seguro de crédito à exportação tem ganhado espaço como instrumento para reduzir perdas financeiras em operações internacionais realizadas a prazo.

 

A modalidade cobre situações como inadimplência, insolvência do comprador e riscos políticos que possam impedir o pagamento da mercadoria. Antes da contratação da cobertura, as seguradoras realizam uma análise de crédito do importador e avaliam fatores como histórico financeiro, risco-país e capacidade de pagamento.

 

Caso o comprador deixe de honrar o compromisso e as tentativas de cobrança não tenham sucesso, a seguradora indeniza o exportador conforme as condições previstas na apólice.

 

"O exportador precisa oferecer prazos competitivos para fechar negócios, mas sem comprometer seu fluxo de caixa. O seguro reduz essa exposição e dá mais segurança às operações internacionais", afirma Luciano Mendonça, diretor comercial da Allianz Trade no Brasil.

 

Expansão para novos mercados amplia desafios

A abertura de novos mercados para produtos brasileiros também tem ampliado a necessidade de gestão de riscos. Segundo o estudo, apenas 7% das empresas exportadoras no mundo recebem pelos produtos em até 30 dias, enquanto cerca de um quarto das operações ultrapassa 70 dias para pagamento.

 

A ampliação das exportações para regiões como Europa, América Latina, Ásia e Oriente Médio exige avaliações mais detalhadas sobre a capacidade financeira dos compradores e as condições econômicas dos países de destino.

 

Além da proteção financeira, o seguro de crédito à exportação também pode ser utilizado como garantia em operações de financiamento, como as realizadas por meio do Programa de Financiamento às Exportações (Proex), permitindo que empresas recebam os recursos no Brasil enquanto oferecem prazos maiores aos compradores no exterior.

 

Em um cenário marcado por instabilidade geopolítica e prazos de pagamento cada vez mais longos, a gestão do risco de crédito ganha espaço na estratégia das empresas exportadoras, especialmente entre aquelas que buscam ampliar sua presença em novos mercados.



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