Emissões globais por incêndios atingem menor nível em mais de duas décadas
Por Redação
06/07/2026 às 11:26:35 | | views 50
Dados do observatório europeu Copernicus apontam que o primeiro semestre de 2026 registrou o menor volume de gases de efeito estufa liberados por queimadas desde o início da série histórica, em 2003, mas especialistas alertam para os efeitos do El Niño
As emissões globais de gases de efeito estufa provenientes de incêndios florestais e queimadas atingiram, no primeiro semestre de 2026, o menor patamar desde o início da série histórica do observatório europeu Copernicus, em 2003.
Entre janeiro e junho, foram emitidas menos de 400 megatoneladas de carbono, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (6). O volume representa um novo recorde de baixa e reforça a tendência de redução observada nos últimos anos. Em 2003, quando o monitoramento começou, as emissões ultrapassavam 1 gigatonelada de carbono, e nunca haviam ficado abaixo de 500 megatoneladas.
De acordo com o Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS), a queda foi impulsionada principalmente pela redução das queimadas sazonais na África tropical. No continente africano, as emissões recuaram de 213 para 154 megatoneladas de carbono em comparação com o mesmo período de 2025. Na Ásia, o volume caiu de 164 para 113 megatoneladas.
Na América do Sul, as emissões também diminuíram, passando de 40,9 para 38,8 megatoneladas de carbono. Apesar da redução, o continente registrou incêndios de grande intensidade em áreas como a região de Biobío, no Chile, e a província de Chubut, na Patagônia argentina.
Já a atividade mais intensa de incêndios no período foi registrada no estado de Victoria, no sudeste da Austrália, durante o início de janeiro, em meio a temperaturas recordes.
Apesar do desempenho positivo no balanço do semestre, o cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico do Copernicus, Mark Parrington, alertou para o aumento recente da atividade de incêndios na Eurásia e na América do Norte. Segundo ele, a possível formação do fenômeno El Niño pode favorecer períodos de seca mais intensos e elevar novamente as emissões globais.
Em episódios anteriores do fenômeno climático, como em 2015 e 2019, incêndios persistentes na Indonésia provocaram forte aumento na emissão de poluentes e agravaram a qualidade do ar em diversos países da região.
O monitoramento do Copernicus é realizado por meio de imagens de satélite, que permitem estimar a intensidade dos incêndios e calcular as emissões de carbono e outros poluentes atmosféricos. Os dados são integrados às previsões meteorológicas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), que auxilia na projeção da evolução dos focos de incêndio. (Com Agência Brasil)
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