Guterres defende regras globais para IA e alerta para riscos às crianças
Por Redação
06/07/2026 às 11:06:47 | | views 116
Secretário-geral da ONU afirma que avanço da inteligência artificial supera capacidade de regulação e pede mecanismos internacionais para garantir segurança e reduzir desigualdades
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu nesta segunda-feira (6) a criação de regras globais para regulamentar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Durante a abertura do primeiro Diálogo Global da ONU sobre Governança da IA, em Genebra, ele alertou que a tecnologia avança em ritmo superior à capacidade de governos e instituições de acompanhar seus impactos.
Segundo Guterres, a inteligência artificial já influencia áreas estratégicas, como economia, mercado de trabalho, processos eleitorais e segurança internacional, tornando urgente a adoção de mecanismos de proteção.
"A inovação precisa de limites de segurança. Para que a IA seja poderosa, ela deve ser regulamentada", afirmou.
Um dos principais alertas do secretário-geral foi em relação aos impactos da tecnologia sobre crianças e adolescentes. Guterres defendeu que empresas responsáveis pelo desenvolvimento de sistemas de IA comprovem sua segurança antes de disponibilizá-los ao público infantil.
Ele também propôs que plataformas sejam impedidas de gerar conteúdo sexual envolvendo crianças e que sistemas de inteligência artificial interrompam interações quando identificarem sinais de sofrimento emocional, encaminhando o usuário para atendimento humano.
O encontro, que reúne representantes de governos e especialistas durante dois dias, não tem como objetivo negociar um tratado internacional, mas discutir princípios para reduzir os riscos da inteligência artificial e ampliar seus benefícios. Durante o evento, um painel científico independente apoiado pela ONU apresenta a primeira avaliação global sobre os impactos da tecnologia. Um relatório mais amplo deverá ser divulgado no próximo ano.
Guterres também demonstrou preocupação com a concentração do desenvolvimento da IA em poucos países e empresas. Segundo relatório apresentado no evento, os Estados Unidos concentram 75% da capacidade computacional dos 500 maiores supercomputadores dedicados à inteligência artificial, enquanto a China responde por 15%.
Embora mais de um bilhão de pessoas utilizem semanalmente ferramentas de IA conversacional em todo o mundo, a adoção da tecnologia permanece limitada em países em desenvolvimento, ampliando o risco de desigualdade tecnológica.
Ao abordar esse cenário, o secretário-geral afirmou que a inteligência artificial pode acelerar o desenvolvimento econômico e social, desde que seu acesso seja mais equilibrado entre as nações.
Representantes de países africanos também defenderam maior participação na definição das regras internacionais para a tecnologia. O presidente do Conselho Presidencial da Líbia, Mohamed al-Menfi, afirmou que o continente reúne cerca de 10% da população mundial, mas concentra menos de 2% dos centros globais de processamento de dados, o que limita sua capacidade de competir na nova economia digital. (Com agências internacionais e Brasil)
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