Brasil registra alta de 46% nos ataques cibernéticos e falta de profissionais


Por Redação

06/07/2026  às  09:17:54 | | views 108


@divulgação
Michele Nogueira, da UFMG, fala sobre problemas cibernéticos e falta de profissionais no setor

Especialista da UFMG defende ampliação da participação feminina na cibersegurança como estratégia para enfrentar escassez de talentos e fortalecer a proteção digital


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O Brasil segue como um dos principais alvos de ataques cibernéticos no mundo. Em abril deste ano, empresas brasileiras sofreram, em média, 4.118 ataques por semana, volume 46% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e quase o dobro da média global, de 2.201 ataques semanais, segundo dados da Check Point Research (CPR).

 

Além do aumento das ameaças, especialistas alertam para outro desafio: a escassez de profissionais qualificados para atuar na área. Para a cientista da computação Michele Nogueira, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Projeto METIS, ampliar a participação feminina na cibersegurança é parte da solução para reduzir esse déficit.

 

"O crescimento dos ataques no Brasil não é surpresa para quem acompanha a área. O que preocupa é que continuamos a ampliar a superfície de ataques sem aumentar proporcionalmente a força de trabalho especializada. E uma parte significativa desse problema tem solução conhecida: a inclusão de mulheres nesse mercado", afirma.

 

Dados do Panorama do Risco Cibernético no Brasil 2026, da consultoria Vultus, mostram que 45% dos ataques bem-sucedidos tiveram origem em falhas humanas, como uso de senhas fracas, acesso a links maliciosos e ausência de autenticação em dois fatores. O cenário indica que, além de investimentos em tecnologia, a capacitação de usuários continua sendo um dos principais desafios para empresas e instituições.

 

Segundo levantamento da Fortinet, o Brasil concentrou, em 2025, 84% das tentativas de ataques cibernéticos registradas na América Latina, totalizando cerca de 315 bilhões de incidentes ao longo do ano. Os prejuízos também são elevados. Um ataque de ransomware de médio porte pode gerar perdas superiores a R$ 1,4 milhão, sem considerar impactos à reputação das empresas e à confiança de clientes.

 

Enquanto as ameaças aumentam, o mercado enfrenta falta de profissionais especializados. Estimativas do ISC² apontam um déficit global de aproximadamente 4 milhões de especialistas em cibersegurança. No Brasil, o cenário é agravado pela baixa participação feminina na área de tecnologia: mulheres representam apenas 17% dos profissionais do setor, segundo dados do Observatório Softex/W-Tech.

 

Nesse contexto, o Projeto METIS, financiado pelo CNPq, busca incentivar a formação de meninas e mulheres para atuação em cibersegurança. A iniciativa promove ações de letramento digital em escolas públicas, capacitação de estudantes e formação de pesquisadoras, em parceria com instituições como o INCT-IACiber, o programa Meninas Digitais, da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), e o Instituto Kunumi.

 

Para Michele Nogueira, ampliar a diversidade na formação de profissionais é uma necessidade estratégica para o setor.

 

"Há um equívoco recorrente de tratar a inclusão de mulheres em cibersegurança como uma pauta secundária. A escassez de profissionais é, ela mesma, um problema técnico. Não vamos resolvê-lo sem diversificar quem forma, pesquisa e trabalha na área", conclui.



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