Senado deve ampliar debate sobre escala 6x1 e adiar votação
Por Redação
03/06/2026 às 14:11:33 | | views 56
Presidente da Casa, Davi Alcolumbre, sinaliza mudanças no texto e afasta votação rápida de proposta que busca reduzir jornada e ampliar tempo de descanso dos trabalhadores
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indicou nesta quarta-feira (3) que a proposta que põe fim à escala 6x1 deverá enfrentar uma tramitação mais longa do que o esperado. Ao defender que a matéria passe pelas comissões da Casa, o senador sinalizou a possibilidade de alterações no texto aprovado pela Câmara dos Deputados, o que pode retardar a conclusão de uma das principais pautas trabalhistas em debate no Congresso.
A proposta prevê mudanças na jornada de trabalho atualmente praticada por milhões de brasileiros, especialmente em setores como comércio, serviços, logística e alimentação, onde o modelo de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso ainda é predominante.
Alcolumbre afirmou que o Senado não deve apenas referendar a decisão dos deputados e defendeu uma análise mais aprofundada dos impactos da medida sobre trabalhadores e empregadores.
“Seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância”, disse o presidente da Casa ao responder a um questionamento feito em plenário pelo senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) sobre a previsão de votação da proposta.
O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos meses impulsionado por movimentos de trabalhadores que associam o modelo a desgaste físico e mental, dificuldades de convivência familiar e limitações ao lazer e à qualificação profissional. Defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode contribuir para melhorar a qualidade de vida e reduzir adoecimentos relacionados ao trabalho.
Por outro lado, setores empresariais alertam para possíveis aumentos de custos operacionais e impactos sobre a produtividade, especialmente em atividades que demandam funcionamento contínuo.
Alcolumbre afirmou não ser “a favor nem contra” a proposta, mas favorável ao aprofundamento das discussões. Segundo ele, a definição sobre o rito de tramitação será discutida com líderes partidários na próxima semana.
A avaliação do presidente do Senado contraria a expectativa de lideranças governistas, que defendem a votação da PEC ainda neste mês e sem alterações em relação ao texto aprovado pela Câmara. Caso os senadores promovam mudanças, a proposta precisará retornar aos deputados para nova análise.
A oposição, por sua vez, apresentou uma alternativa que mantém a jornada atual e amplia a possibilidade de contratos por hora trabalhada. O líder oposicionista no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), já se manifestou contra a redução da carga horária semanal.
Antes de chegar ao plenário, a PEC deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA). O relator da proposta ainda não foi definido.
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