EUA miram Brasil em nova ofensiva comercial e propõem tarifa extra de 12,5% sobre importações
Por Richard Wolf
03/06/2026 às 13:06:42 | | views 151
Medida faz parte de investigação americana sobre trabalho forçado e pode ampliar tensões comerciais entre Brasília e Washington
WASHINGTON — O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma nova lista de países que poderão ser alvo de tarifas adicionais sobre produtos exportados ao mercado americano. A proposta, apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), prevê uma sobretaxa de 12,5% para produtos brasileiros, sob a justificativa de falhas no combate à circulação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A iniciativa integra uma ofensiva comercial mais ampla da administração do presidente Donald Trump, que busca restabelecer mecanismos tarifários após parte de suas medidas emergenciais ter sido derrubada pela Suprema Corte americana em fevereiro.
Ao todo, cerca de 60 países foram incluídos na proposta. Enquanto parceiros comerciais como Canadá, México, Reino Unido e integrantes da União Europeia poderão enfrentar tarifas adicionais de 10%, o Brasil aparece em um grupo submetido à alíquota mais elevada, de 12,5%.
A medida tem como base investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado por Washington para apurar práticas consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses econômicos do país. O mecanismo já foi empregado em disputas comerciais de grande escala, incluindo os embates tarifários entre Estados Unidos e China.
Segundo o USTR, a proposta busca pressionar governos estrangeiros a adotarem medidas mais rigorosas para impedir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado nas cadeias globais de fornecimento. Na avaliação do órgão, a ausência de controles efetivos acaba gerando distorções competitivas e prejudicando empresas americanas.
Para o Brasil, a medida representa um novo ponto de atenção na relação comercial com os Estados Unidos, segundo maior destino das exportações brasileiras. Caso avance, a sobretaxa poderá atingir setores dependentes do mercado norte-americano e elevar os custos de acesso de produtos brasileiros ao país.
O processo ainda está em fase de consulta pública. O governo americano receberá manifestações de empresas, entidades e governos estrangeiros até 6 de julho. Uma audiência pública está prevista para o dia seguinte, antes da decisão final sobre a implementação das tarifas.
Até o momento, o governo brasileiro não havia se pronunciado oficialmente sobre a proposta.
Comentários desta notícia 0
Comentários - ver todos os comentários
Seja o primeiro a comentar!

