Brasil registra menor taxa de homicídios em mais de 25 anos


Por Redação

26/05/2026  às  10:24:57 | | views 23


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Atlas da Violência aponta queda histórica em 2024, avanço de mortes sem causa definida e persistência de desigualdades regionais e raciais


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O Brasil registrou em 2024 a menor taxa de homicídios da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. O país teve 20,1 assassinatos por 100 mil habitantes, uma queda de 7,4% em relação a 2023. Em números absolutos, foram 42.590 mortes, recuo de 6,9%.

 

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com base em informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sinan, do Ministério da Saúde.

 

Apesar do resultado histórico, pesquisadores alertam que parte da melhora estatística é pressionada pelo aumento de registros sem classificação adequada da causa da morte.

 

“O número de mortes violentas por causa indeterminada aumentou muito em 2024 e fez sombra a essa queda histórica”, afirmou Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência.

 

No acumulado de 2014 a 2024, a taxa de homicídios caiu 33,4% e o número total de assassinatos recuou 29,6%. Ainda assim, o estudo mostra que a violência continua distribuída de forma desigual no território brasileiro.

 

O Amapá foi o único estado com aumento relevante de homicídios na década, enquanto as maiores reduções ocorreram em unidades como Sergipe, Goiás e Distrito Federal. Em 2024, São Paulo teve a menor taxa do país (6,6 por 100 mil habitantes), enquanto Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará registraram os maiores índices.

 

Entre municípios com mais de 100 mil habitantes, 17 das 20 cidades mais violentas estão no Nordeste. Já as menos violentas ficam concentradas no Sul e no Sudeste.

 

O levantamento também chama atenção para o crescimento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), quando não é possível definir se o óbito foi homicídio, acidente ou suicídio. Em 2024, foram 17.207 registros desse tipo, alta de 23,8% em relação ao ano anterior.

 

Segundo o estudo, cerca de 41% dessas ocorrências têm grande probabilidade de se tratar, na prática, de homicídios não contabilizados oficialmente. Com base em metodologia própria, os pesquisadores estimam 7.083 “homicídios ocultos” no último ano.

 

Para os autores, o aumento desses casos está ligado, entre outros fatores, à falta de integração entre sistemas de saúde e segurança pública.

 

A violência contra mulheres também segue em patamar elevado. Entre 2014 e 2024, os homicídios femininos caíram 27,7%, mas a forma mais extrema dessa violência — o feminicídio — não apresentou redução significativa no período.

 

Em 2024, foram 3.642 mulheres assassinadas no país. O estudo aponta ainda que mulheres negras seguem como as principais vítimas: elas representaram 67,5% dos homicídios femininos e tiveram taxa 66,7% superior à de mulheres não negras.

 

Para os pesquisadores, os números mostram um cenário de melhora parcial nos indicadores gerais, mas com persistência de desigualdades profundas ligadas à região, raça e gênero — além de fragilidades na produção e classificação dos dados de segurança pública no país.



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