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Exame toxicológico para CNH A e B em debate


Por Redação

27/04/2026  às  07:12:40 | | views 156


@Marcello Casal Jr/ABr

Levantamento nacional aponta consenso entre brasileiros, enquanto governo ainda avalia como implementar a medida prevista em lei


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A exigência de exame toxicológico para quem busca a primeira habilitação nas categorias A e B — que abrangem motocicletas e automóveis — ganhou respaldo expressivo da população brasileira. Segundo pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Toxicologia (ABTox), 86% dos entrevistados se dizem favoráveis à medida, revelando um apoio consistente que atravessa regiões, idades e níveis de escolaridade.

 

O levantamento, realizado pelo Instituto Ipsos-Ipec com 2 mil pessoas em 129 municípios, foi divulgado na última sexta-feira (24) e reforça a percepção de que a proposta encontra terreno fértil na opinião pública. Em todas as regiões do país, ao menos oito em cada dez entrevistados apoiam a exigência, com índices que chegam a 88% no Norte e Centro-Oeste. O apoio também se mantém elevado entre homens e mulheres e cresce conforme o nível de escolaridade.

 

Embora já prevista em lei desde dezembro de 2025, quando foi sancionada após ter o veto derrubado no Congresso Nacional, a medida ainda não entrou em vigor. O Ministério dos Transportes afirma que a implementação está em análise e depende de estudos técnicos e regulamentação.

 

Hoje, o exame toxicológico já é obrigatório para motoristas profissionais das categorias C, D e E. A proposta de ampliar a exigência para novos condutores reacende discussões sobre segurança viária e prevenção.

 

Os dados da pesquisa indicam que a população associa diretamente o exame a possíveis ganhos sociais. Para 68% dos entrevistados, a medida pode ajudar no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado. Já 69% acreditam que ela pode contribuir para reduzir a violência doméstica ligada ao consumo de substâncias.

 

Ainda assim, o governo adota cautela. A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) conduz estudos sobre impactos regulatórios, capacidade da rede de laboratórios e adaptações necessárias nos processos de habilitação. Um grupo técnico tem até 90 dias para apresentar conclusões que devem embasar a decisão final.

 

Até lá, a orientação repassada aos Detrans estaduais é clara: o exame não deve ser exigido para candidatos às categorias A e B.

 

Para a ABTox, no entanto, a lei já oferece base suficiente para aplicação imediata, amparada por resoluções do Conselho Nacional de Trânsito. A entidade lembra que a adoção do exame para motoristas profissionais esteve associada à queda expressiva de acidentes nas estradas, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal.

 

O impasse entre respaldo popular, previsão legal e cautela técnica mantém o tema em evidência. Enquanto o governo analisa os próximos passos, a pesquisa sugere que, para a maioria dos brasileiros, a direção já está apontada.



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