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Roubo de cargas em trens expõe fragilidade logística e de segurança


Por Redação

17/03/2026  às  09:33:26 | | views 113


@Agência SP

Operação policial revela esquema estruturado e reacende debate sobre segurança no transporte ferroviário


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Uma operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo contra uma quadrilha especializada em furto de cargas ferroviárias no interior paulista expôs, mais uma vez, a vulnerabilidade do sistema logístico brasileiro — especialmente no transporte de commodities de alto valor.

 

Batizada de “Ouro Branco”, a ação foi conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais nesta terça-feira (17) e teve como foco um grupo que desviava toneladas de farelo de soja e açúcar em trechos ferroviários na região de Aguaí, rota estratégica até o Porto de Santos. Até o momento, três suspeitos foram presos, enquanto outros seguem sob investigação.

 

Segundo as autoridades, o esquema operava de forma coordenada e recorrente desde pelo menos o fim de 2025, causando prejuízos milionários. Parte dos criminosos acessava vagões em movimento, retirava a carga e a lançava ao longo da ferrovia. Em seguida, outros integrantes recolhiam o material e o transportavam para galpões e propriedades rurais, onde os produtos eram armazenados e reinseridos no mercado.

 

O grupo agia diretamente nos vagões em movimento, retirando a carga para posterior recolhimento”, afirmou o delegado Danilo Alexiades, responsável pela investigação.

 

O caso evidencia um problema estrutural que vai além da ação criminosa pontual. Especialistas em segurança apontam que o roubo de cargas no Brasil se beneficia de falhas sistêmicas, como baixa fiscalização em trechos ferroviários extensos, ausência de monitoramento contínuo e fragilidade na rastreabilidade de mercadorias.

 

Além disso, a facilidade de escoamento dos produtos roubados — especialmente commodities como açúcar e grãos — alimenta um mercado paralelo consolidado, que opera com relativa impunidade. A rápida “regularização” desses itens em cadeias formais dificulta a identificação da origem ilícita e amplia o impacto econômico do crime.

 

A operação mobilizou 29 policiais e cumpriu mandados judiciais de prisão e busca e apreensão, resultando na apreensão de veículos, materiais usados no transporte das cargas e simulacros de armas. No entanto, o avanço das investigações indica que o problema pode ter ramificações maiores.

 

Para analistas, ações policiais pontuais, embora relevantes, não são suficientes para conter o avanço desse tipo de crime. O enfrentamento exige investimentos em inteligência, integração entre empresas e autoridades, além de tecnologias de monitoramento e rastreamento mais robustas ao longo das cadeias logísticas.

 

Enquanto isso, episódios como o desvendado pela operação “Ouro Branco” reforçam o impacto direto da insegurança sobre o custo Brasil, pressionando empresas, encarecendo operações e comprometendo a competitividade do país no mercado global.



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