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STF mira jornalista e reacende debate da liberdade de imprensa


Por Redação

12/03/2026  às  20:24:43 | | views 46


© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Decisão de Alexandre de Moraes contra autor de blog no Maranhão provoca reação de entidades do setor e levanta questionamentos sobre limites do inquérito das fake news


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A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou busca e apreensão na residência do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida reacendeu o debate sobre os limites da atuação judicial em investigações envolvendo atividade jornalística e liberdade de imprensa.

 

A medida foi determinada no âmbito do chamado inquérito das fake news e teve como alvo o jornalista responsável pelo Blog do Luís Pablo, que publicou reportagens sobre o suposto uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino, também integrante do STF.

 

Durante a operação, foram recolhidos equipamentos eletrônicos e materiais de trabalho do jornalista para análise no curso da investigação conduzida pela Polícia Federal.

 

A decisão gerou reação imediata de entidades representativas da imprensa, que classificaram a medida como preocupante e potencialmente lesiva ao exercício da atividade jornalística.

 

Entidades apontam risco ao sigilo da fonte

Em nota conjunta divulgada nesta quinta-feira (12), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) afirmaram ver com preocupação a determinação judicial.

 

Segundo as entidades, a atividade jornalística conta com proteção constitucional expressa, especialmente no que se refere ao sigilo da fonte. Para as organizações, qualquer medida que possa levar à identificação de fontes ou à apreensão de material jornalístico representa risco direto ao livre exercício da imprensa.

 

“As entidades consideram preocupante a decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar busca e apreensão na casa do jornalista”, afirmaram as associações em nota.

 

O documento ressalta que o jornalista havia publicado informações sobre o suposto uso de veículo oficial do Judiciário maranhense por familiares do ministro Flávio Dino.

 

Críticas ao alcance da investigação

Outro ponto destacado pelas entidades é o fato de a decisão estar vinculada ao chamado inquérito das fake news, investigação aberta no Supremo em 2019 e frequentemente alvo de questionamentos jurídicos por não possuir objeto estritamente delimitado nem prazo definido de duração.

 

As associações também apontam como agravante o fato de a medida ter sido aplicada contra um jornalista sem prerrogativa de foro no Supremo.

 

Para as entidades, o episódio levanta dúvidas sobre a proporcionalidade de medidas judiciais que envolvem profissionais da comunicação e sobre os possíveis efeitos dessas decisões no ambiente de liberdade de imprensa no país.

 

Ao final da nota, Abert, Aner e ANJ afirmam esperar a revisão da medida, sustentando que a decisão viola o preceito constitucional do sigilo da fonte e representa um precedente sensível para o exercício do jornalismo no Brasil.

 



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