Acidentes e avarias superam roubo como risco logístico
Por Redação
03/03/2026 às 09:19:20 | | views 84
Especialistas alertam que limitar debates à criminalidade subestima riscos logísticos e impactos financeiros no transporte rodoviário
O roubo de cargas continua sendo a principal preocupação do transporte rodoviário no Brasil, mas especialistas destacam que acidentes, tombamentos e avarias causam prejuízos ainda maiores. Além da criminalidade, o setor enfrenta riscos como falhas mecânicas, extravios, contaminação de mercadorias, erros operacionais e eventos climáticos extremos.
Dados da Pamcary mostram que 40,6% dos acidentes no primeiro semestre de 2025 ocorreram na região Sudeste, seguida pelo Nordeste, com 22,7%. Trechos críticos incluem rotas entre São Paulo e Rio de Janeiro e corredores entre Minas Gerais e São Paulo.
Para João Paulo Barbosa, especialista em seguro de cargas, a percepção do setor é equivocada. “O roubo é o risco mais temido, mas acidentes e avarias representam uma parcela significativa das perdas financeiras no transporte”, afirma.
A extensa malha rodoviária, manutenção precária e longas jornadas tornam colisões, saídas de pista e tombamentos comuns. Mesmo sem destruir totalmente a carga, os tombamentos podem comprometer mercadorias, gerar contaminação e inviabilidade comercial — especialmente no caso de alimentos, medicamentos, produtos químicos e eletrônicos.
Muitas perdas também ocorrem silenciosamente: manuseio inadequado, vibração excessiva e falhas na carga e descarga causam danos econômicos relevantes, mesmo sem envolver acidentes ou crime.
Além disso, eventos climáticos extremos — enchentes, deslizamentos e tempestades — vêm aumentando o impacto no transporte, causando atrasos, interrupções e prejuízos em cadeia.
Segundo Barbosa, empresas ainda cometem o erro de concentrar recursos apenas na prevenção de roubos, negligenciando riscos operacionais. “Cada sinistro gera efeitos em cadeia: aumento de prêmios, revisão de processos, desgaste comercial e pressão financeira. O risco logístico não termina na carga perdida”, conclui.
Em um país que depende fortemente do modal rodoviário, entender que o roubo é apenas uma das variáveis é fundamental para estratégias mais eficientes e sustentáveis no setor.
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