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ONU classifica violência contra mulheres como 'emergência global'


Por Redação

27/02/2026  às  09:20:03 | | views 308


© REUTERS/Denis Balibouse/Direitos Reservados

Alto comissário Volker Türk cita 50 mil assassinatos em 2024 e denuncia sistemas que silenciam vítimas e protegem agressores poderosos


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A violência contra mulheres e meninas atingiu patamar de “emergência global”, afirmou nesta sexta-feira (27) o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, durante discurso ao Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

 

Segundo ele, cerca de 50 mil mulheres e jovens foram assassinadas em 2024 em todo o mundo, a maioria morta por integrantes da própria família — dado que evidencia a persistência do feminicídio e da violência doméstica como ameaças estruturais à segurança feminina.

 

Türk citou casos emblemáticos que ganharam repercussão internacional, como o de Gisèle Pelicot, na França, drogada e violentada por dezenas de homens ao longo de uma década, e o do financista norte-americano Jeffrey Epstein, acusado de explorar e abusar sexualmente de menores.

 

Para o alto comissário, episódios como esses expõem não apenas crimes individuais, mas falhas sistêmicas. “Esses abusos horríveis são facilitados por sistemas sociais que silenciam as mulheres e protegem os homens poderosos da responsabilização”, afirmou. Ele questionou ainda quantos outros agressores permanecem impunes sob estruturas que dificultam denúncias e enfraquecem mecanismos de proteção.

 

Türk apelou para que os países investiguem “todos os alegados crimes, protejam as sobreviventes e garantam justiça sem medo ou favorecimento”, alertando que os direitos de mulheres e meninas enfrentam ameaças crescentes em diversas regiões.

 

No mesmo pronunciamento, o representante da ONU demonstrou preocupação com o avanço da violência como ferramenta política e militar. Segundo ele, o número de conflitos armados quase dobrou desde 2010, alcançando cerca de 60 guerras ativas no mundo. Ataques a hospitais e instalações de saúde, que antes provocavam indignação internacional, tornaram-se recorrentes — atualmente, em média, dez por dia.

 

“O mundo está realmente se tornando um lugar mais perigoso”, declarou. Para Türk, a normalização de violações do direito internacional humanitário corrói as bases da segurança global. “Ignorar as atrocidades só alimenta os massacres”, advertiu, ao defender a responsabilização de autores e a preservação dos direitos humanos como pilares fundamentais da ordem internacional.



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