Resposta tardia do governo expõe fragilidade na prevenção
Por Redação
27/02/2026 às 08:36:18 | | views 419
Repasse federal para Matias Barbosa é oficializado em meio a alertas de novas chuvas e reacende debate sobre falhas estruturais na gestão de riscos na Zona da Mata
O Diário Oficial da União publicou nesta sexta-feira (27) a autorização para o repasse de R$ 1,05 milhão do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional ao município de Matias Barbosa, atingido pelos temporais que devastaram a Zona da Mata mineira.
O recurso, que será transferido em parcela única e deverá ser executado em até 180 dias, destina-se a ações emergenciais de resposta. A liberação ocorre após a região contabilizar 64 mortes provocadas por enxurradas e deslizamentos — um saldo que evidencia a dimensão da tragédia e levanta questionamentos sobre a capacidade preventiva do poder público.
O valor integra pacote anunciado pelo ministro Waldez Góes, mas, diante da extensão dos danos humanos, sociais e estruturais, especialistas apontam que medidas pontuais de socorro não substituem políticas permanentes de mitigação de riscos, fiscalização urbana e planejamento territorial.
No campo fiscal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizou a suspensão e prorrogação de dívidas com a União para municípios em calamidade pública na região. Também foi dispensada, por 90 dias, a consulta ao Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) para viabilizar auxílios e financiamentos emergenciais.
Enquanto as medidas administrativas são formalizadas, o cenário permanece instável. O Instituto Nacional de Meteorologia mantém alerta de grande perigo para chuvas intensas na Zona da Mata até o fim desta sexta-feira. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais classifica como “muito alta” a probabilidade de novas enxurradas, alagamentos e inundações, especialmente em Juiz de Fora.
A sucessão de eventos extremos expõe um padrão recorrente: recursos emergenciais são liberados após a tragédia, enquanto investimentos estruturais em prevenção, drenagem e reassentamento de famílias em áreas de risco seguem aquém da necessidade. Em um cenário de eventos climáticos cada vez mais intensos, a segurança da população depende menos de respostas reativas e mais de planejamento contínuo e execução efetiva de políticas públicas.
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