Inteligência de dados ganha espaço na logística marítima
Por Redação
25/02/2026 às 14:36:52 | | views 33
Uso de análises preditivas e IA amplia previsibilidade, reduz custos e fortalece segurança operacional no comércio exterior
Responsável por cerca de 80% do volume do comércio mundial, segundo a United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD), o transporte marítimo é um dos pilares da economia global — e também um dos mais sensíveis a oscilações geopolíticas, crises econômicas e gargalos logísticos. Nesse ambiente de alta complexidade, a inteligência de dados passa a desempenhar papel estratégico na busca por eficiência e segurança operacional.
A digitalização do setor vem se consolidando por meio da organização de bases históricas de navegação, cruzamento de dados portuários e aplicação de inteligência artificial (IA) para análise de fluxos de importação e exportação. A informação, antes usada predominantemente como registro, ganha função preditiva e passa a orientar decisões sobre rotas, capacidade operacional, contratos e mitigação de riscos.
De acordo com o World Bank, os custos logísticos podem representar até 20% do valor da mercadoria. Nesse contexto, pequenas variações de eficiência podem gerar impactos significativos na competitividade.
Para Marcos Silva, CIO da Datamar, o desafio atual não está apenas na disponibilidade de dados, mas na capacidade de transformá-los em inteligência aplicada. “O nosso papel é transformar dado bruto em inteligência estratégica. Não entregamos informação isolada, entregamos contexto, previsibilidade e apoio real à tomada de decisão”, afirma.
Segundo ele, a consolidação de bases estruturadas — algumas com registros históricos desde a década de 1990 — permite reduzir incertezas em um setor altamente exposto a variáveis externas. “O comércio exterior é um ambiente de alta complexidade. Quem opera nesse mercado precisa de dados confiáveis, atualizados e estruturados. A tecnologia só é relevante quando impacta no resultado”, diz.
A aplicação de modelos analíticos e ferramentas de IA tem permitido migrar de uma leitura retrospectiva para uma abordagem preditiva. Isso significa antecipar movimentos de mercado, identificar tendências de fluxo de cargas e mapear riscos logísticos antes que se convertam em prejuízos operacionais ou financeiros.
Além do ganho de eficiência, especialistas apontam que a inteligência de dados fortalece a segurança logística. Monitoramento contínuo, integração via APIs com sistemas corporativos e análise estruturada de informações contribuem para maior rastreabilidade e controle da cadeia de suprimentos — fatores críticos em um cenário de instabilidade regulatória e tensões internacionais.
Silva destaca que ainda há um déficit relevante na integração de sistemas no setor de shipping, historicamente marcado por informações fragmentadas. “Existe um gap na utilização estratégica de dados. O potencial de ganho em eficiência é enorme, mas depende de governança, padronização e capacidade analítica”, afirma.
A tendência, segundo o executivo, é ampliar o uso de automação e inteligência artificial para acelerar a detecção de desvios operacionais e apoiar decisões estratégicas em tempo real.
Em um comércio exterior cada vez mais orientado por dados, a competitividade passa a depender não apenas da infraestrutura física, mas também da robustez informacional. A capacidade de transformar dados em inteligência segura e acionável torna-se elemento central para garantir previsibilidade, resiliência e vantagem estratégica na logística marítima.
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