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BC liquida Banco Pleno e bloqueia controladores, caso Master


Por Redação

18/02/2026  às  12:34:36 | | views 4198


© Rovena Rosa/Agência Brasil

Instituição de pequeno porte é alvo de intervenção por deterioração financeira e descumprimento de normas; decisão atinge controladores e ex-administradores


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O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (18), em Brasília, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e de sua subsidiária, a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A medida, justificada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e por infrações regulatórias, expõe fragilidades em um conglomerado que, até recentemente, orbitava o entorno do polêmico Banco Master.

 

Segundo o BC, o conglomerado prudencial Pleno é classificado como segmento S4 — de pequeno porte — com participação de 0,04% no total de ativos e 0,05% nas captações do Sistema Financeiro Nacional. Apesar da baixa representatividade sistêmica, a decisão reacende questionamentos sobre a eficácia da supervisão em instituições menores e sobre os riscos de contaminação reputacional no setor.

 

Deterioração e infrações

Em nota, o Banco Central afirmou que a liquidação foi motivada pela “deterioração da situação de liquidez”, além de descumprimento de normas e desobediência a determinações da autarquia. A autoridade monetária informou que poderá adotar medidas adicionais para apurar responsabilidades administrativas e encaminhar eventuais irregularidades aos órgãos competentes.

 

Entre as providências já determinadas está a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores, com o objetivo de preservar recursos para possível ressarcimento de credores e garantir a integridade do processo.

 

Conexão com o caso Master

O Banco Pleno era anteriormente conhecido como Banco Voiter e integrou, até meados de 2025, o conglomerado do Banco Master, instituição associada ao banqueiro Daniel Vorcaro. O Master é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga a suposta concessão de créditos fraudulentos e operações que podem alcançar R$ 17 bilhões, incluindo tentativas de aquisição envolvendo o BRB.

 

Atualmente, o Banco Pleno é presidido por Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Master. Em comunicado, a instituição afirmou que não integra mais o conglomerado Master — argumento que busca delimitar responsabilidades regulatórias e reputacionais. Ainda assim, a proximidade histórica entre os grupos amplia o escrutínio sobre a governança e os mecanismos de controle interno.

 

Impacto para credores

O banco informou possuir cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis à garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que somam R$ 4,9 bilhões. Pela regra vigente, cada CPF ou CNPJ tem cobertura de até R$ 250 mil por instituição.

 

Segundo o comunicado, os pagamentos serão iniciados assim que o liquidante concluir o levantamento de dados dos credores. O banco orientou clientes a utilizarem o aplicativo do FGC para solicitar a restituição de valores garantidos.

 

Blindagem patrimonial e responsabilidade

A indisponibilidade de bens alcança empresas controladoras — como holdings financeiras e veículos de investimento — além de pessoas físicas ligadas ao núcleo de comando. A medida também se estende a ex-administradores, sinalizando que o BC pretende aprofundar a apuração de responsabilidades.

 

Embora o Banco Pleno represente uma fração mínima do sistema financeiro, o episódio ocorre em um momento de maior vigilância regulatória sobre estruturas societárias complexas e práticas de governança. Para o mercado, o caso reforça o alerta de que, mesmo entre instituições de pequeno porte, falhas de gestão e de conformidade podem resultar em custos elevados — tanto financeiros quanto reputacionais.



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