Juros históricos sufocam crescimento mesmo com inflação menor
Por Redação
09/02/2026 às 10:37:13 | | views 153
Mercado prevê IPCA sob controle, mas Selic em 15% limita consumo e investimento; economia patina diante de política monetária rígida.
O mercado financeiro revisou levemente para baixo sua projeção de inflação em 2026, de 3,99% para 3,97%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central (BC). Apesar do recuo, os juros seguem em patamar recorde: a Selic permanece em 15% ao ano, o nível mais alto desde julho de 2006.
Enquanto os preços mostram sinais de estabilidade, a economia patina. O PIB previsto para 2026 é de apenas 1,8%, repetindo o desempenho fraco estimado para 2027. O crescimento limitado evidencia o efeito sufocante da política monetária: o crédito caro desestimula consumo, os investimentos corporativos ficam travados e famílias sentem no bolso os impactos da Selic elevada.
O Copom já sinalizou que poderá iniciar reduções graduais nos juros a partir de março, mas analistas alertam que, na prática, a economia continua refém de uma taxa historicamente alta. A expectativa do mercado é que a Selic caia para 12,25% até o fim de 2026 e siga reduzindo até 9,5% em 2029 — um processo lento diante do crescimento pífio do país.
O boletim Focus revela que a inflação permanece dentro do intervalo de tolerância da meta do BC, mas os números também escondem tensões estruturais. O terceiro trimestre de 2025 registrou crescimento de apenas 0,1%, considerado estabilidade pelo IBGE, e o PIB consolidado de 2025 — divulgado em março — deve confirmar um quadro de expansão tímida, mesmo após o crescimento de 3,4% em 2024.
No câmbio, o dólar deve encerrar 2026 em R$ 5,50, mantendo-se nesse patamar em 2027, refletindo estabilidade monetária, mas sem impulso real às exportações.
Em resumo, a política de juros altos mantém a inflação sob controle, mas a que custo: a economia brasileira segue limitada, investimentos e consumo travados, e o crescimento permanece insuficiente para gerar empregos e renda em escala. O desafio do governo e do BC será equilibrar preços e expansão sem sacrificar ainda mais o desempenho econômico.
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