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Vitória ampla de Sanae Takaichi redefine cenário político e geopolítico do Japão


Por Richard Wolf

09/02/2026  às  09:04:44 | | views 99


© Reuters/Eugene Hoshiko/Proibida reprodução

Resultado consolida liderança inédita, fortalece agenda fiscal e de defesa e reacende tensões com China e mercados financeiros


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A vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi neste domingo (8) marca uma inflexão relevante no cenário político do Japão, ao combinar um mandato parlamentar robusto com uma agenda econômica e de segurança que tende a gerar repercussões internas e externas. A coalizão liderada por Takaichi deve conquistar 328 das 465 cadeiras da Câmara Baixa, garantindo maioria qualificada de dois terços e abrindo caminho para a implementação de reformas estruturais sensíveis.

 

O Partido Liberal Democrático (PLD), que governa o país durante a maior parte do período pós-guerra, ultrapassou sozinho a marca de 233 assentos necessários para a maioria poucas horas após o fechamento das urnas. Com o apoio do Partido da Inovação do Japão (Ishin), a primeira-ministra passa a ter poder suficiente para aprovar projetos mesmo diante de resistência na Câmara Alta, que permanece fora do controle da coalizão.

 

A eleição consolida Takaichi, de 64 anos, como a primeira mulher a liderar o Japão e como uma das figuras politicamente mais fortes do país nas últimas décadas. Inspirada declaradamente pela ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, a líder conservadora convocou uma eleição antecipada de inverno para capitalizar sua popularidade, apostando em uma narrativa de firmeza política, clareza de direção e fortalecimento do Estado.

 

O discurso encontrou eco em parte significativa do eleitorado, inclusive entre jovens, ajudando o PLD a reverter perdas acumuladas nos últimos 15 meses sob o governo anterior. A chamada “sanakatsu” — fenômeno de mobilização popular em torno da figura da primeira-ministra — tornou-se um símbolo do apelo pessoal de Takaichi, algo incomum na política japonesa contemporânea.

 

O mandato reforçado, no entanto, traz desafios imediatos. No campo econômico, a promessa de suspender o imposto de 8% sobre vendas de alimentos para aliviar o impacto da inflação sobre as famílias gerou apreensão nos mercados financeiros. Investidores questionam a viabilidade fiscal da proposta em um país que já detém o maior nível de endividamento entre as economias avançadas. Analistas apontam que o sucesso da agenda dependerá da capacidade do governo de compatibilizar estímulos com responsabilidade fiscal.

 

A própria Takaichi reconheceu a necessidade de cautela, afirmando que a análise da redução tributária será acelerada, mas com foco na sustentabilidade das contas públicas. Ainda assim, especialistas alertam que o financiamento da medida permanece pouco claro, o que pode manter a volatilidade nos mercados no curto prazo.

 

No plano internacional, o resultado fortalece uma política externa mais assertiva, especialmente em relação à segurança regional. O mandato ampliado tende a acelerar os planos de aumento dos gastos militares e de reforço das capacidades defensivas do Japão, movimento visto como resposta direta à crescente influência da China no Indo-Pacífico.

 

A relação com Pequim já vinha se deteriorando desde que Takaichi detalhou publicamente possíveis respostas japonesas a um eventual ataque chinês a Taiwan. A reação chinesa incluiu medidas diplomáticas e recomendações para que seus cidadãos evitassem viagens ao Japão. O fortalecimento político da primeira-ministra deve intensificar esse atrito, apesar das declarações oficiais de que o diálogo continuará sendo buscado.

 

Em contraste, a vitória foi bem recebida por aliados estratégicos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio público à líder japonesa e confirmou um encontro na Casa Branca nas próximas semanas. Taiwan também reagiu rapidamente, com o presidente Lai Ching-te destacando a expectativa de maior cooperação em segurança e estabilidade regional.

 

Analistas avaliam que o resultado eleitoral reduz significativamente as chances de reversão da atual orientação política japonesa. Com maioria qualificada e respaldo popular, Takaichi consolida-se como um fator de estabilidade doméstica, ao mesmo tempo em que se torna um vetor de maior assertividade do Japão no tabuleiro geopolítico asiático — um movimento que deve manter a China em estado de alerta e os mercados atentos aos próximos passos do governo.



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