IA no franchising como ferramenta de eficiência e rentabilidade
Por Redação
09/02/2026 às 08:41:31 | | views 102
Tecnologia ganha espaço na gestão das redes, mas ainda enfrenta desafios de estruturação e adoção estratégica
Em um mercado cada vez mais competitivo, a diferença entre redes de franquias que crescem de forma consistente e aquelas que apenas mantêm a operação tem passado, com frequência crescente, pela capacidade de organizar informações, padronizar processos e tomar decisões baseadas em dados. Nesse contexto, a Inteligência Artificial (IA) vem se consolidando como um dos principais vetores de eficiência operacional e aumento de rentabilidade no franchising brasileiro.
A tecnologia já faz parte da rotina de cerca de 9 milhões de empresas no país — o equivalente a 40% do total — segundo o relatório Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil – 2025, da Amazon Web Services (AWS). No modelo de franquias, cuja sustentabilidade depende diretamente de escala, replicabilidade e controle de desempenho, a IA encontra um ambiente particularmente propício para acelerar ganhos operacionais e estratégicos.
O uso da tecnologia, no entanto, vai além da automação pontual. Redes mais maduras têm integrado a Inteligência Artificial ao centro da estratégia, apoiando desde a gestão da operação até marketing, recursos humanos e tomada de decisão. Para Jéssica Ramalho, CEO da Acuidar, rede de franquias de cuidados domiciliares, a IA passou a atuar como suporte contínuo à gestão da rede. Segundo ela, a tecnologia contribui para organizar processos, orientar decisões e apoiar franqueados no dia a dia, com foco direto na melhoria de performance e na sustentação do crescimento.
Na Acuidar, essa abordagem levou à criação de duas frentes complementares: uma dedicada à experimentação e desenvolvimento de soluções e outra voltada à aplicação prática da IA nas unidades franqueadas. A estratégia parte da estruturação da base tecnológica, com escolha de plataformas, organização de históricos, capacitação das equipes no uso de prompts e construção de bibliotecas de comandos e assistentes. O objetivo é transformar ganho de tempo em foco gerencial, reduzindo retrabalho e aumentando a precisão das informações utilizadas na operação.
À medida que a maturidade avança, a IA passa a ser aplicada em funções mais estratégicas, como análise de contratos, triagem de currículos, criação de assistentes personalizados e apoio à tomada de decisão em áreas sensíveis. A tecnologia também contribui para a construção de scorecards, checklists e manuais operacionais, reforçando a padronização — um dos pilares do franchising — e a consistência da entrega nas unidades. Em estágios mais avançados, a Inteligência Artificial apoia estratégias de crescimento, com uso em marketing, definição de personas, desenvolvimento de campanhas e análise contínua de desempenho orientada por dados.
Apesar do avanço, o setor ainda está longe de uma adoção homogênea. O estudo Uso da Inteligência Artificial pelas Redes de Franquias 2025, da Associação Brasileira de Franchising (ABF), mostra que 37% das franqueadoras estão em fase de testes e 22% utilizam a tecnologia de forma não estruturada. Os números indicam um mercado em transição, no qual a IA é vista majoritariamente como ferramenta de apoio, e não como substituta da atuação humana.
Esse cenário reforça que o ganho competitivo não está apenas no acesso à tecnologia, mas na capacidade de integrá-la aos processos reais do negócio. No franchising, a Inteligência Artificial tende a gerar mais valor quando atua como instrumento de organização, padronização e análise, ampliando a capacidade decisória das redes e contribuindo para uma rentabilidade mais previsível e sustentável no longo prazo.
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