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Operação em SP revela rede de exploração sexual infantil


Por Redação

09/02/2026  às  08:33:24 | | views 78


@Agência SP

Ação da Polícia Civil prende piloto e mulher suspeitos de negociar abuso de crianças; investigação aponta atuação criminosa por anos sem interrupção


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A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (9) uma operação que revela a atuação prolongada e organizada de uma rede dedicada à exploração sexual de crianças e adolescentes, incluindo crimes de estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e produção de pornografia infantojuvenil. A ofensiva, conduzida pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP, levanta questionamentos sobre a capacidade do Estado de interromper crimes dessa natureza antes que múltiplas vítimas sejam submetidas a abusos reiterados.

 

Batizada de Operação Apertem os Cintos, a ação cumpre oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados e dois de prisão temporária, com diligências realizadas na capital paulista — inclusive no Aeroporto de Congonhas — e no município de Guararema, na região metropolitana. Participam da operação 32 policiais civis e 14 viaturas.

 

Até o momento, dois suspeitos foram presos: um piloto de avião, de 60 anos, detido dentro de uma aeronave em Congonhas, e uma mulher de 55 anos, apontada como responsável por intermediar a exploração sexual das próprias netas, de 10, 12 e 14 anos, mediante pagamento. Segundo a investigação, os crimes teriam ocorrido de forma sistemática por pelo menos oito anos.

 

O inquérito policial foi instaurado apenas em outubro de 2025. Desde então, ao menos três vítimas foram formalmente identificadas, com idades entre 11 e 15 anos, todas submetidas a situações classificadas pela polícia como de extrema violência e exploração. As autoridades não descartam a existência de outras vítimas, o que reforça o caráter continuado e silencioso desse tipo de crime.

 

De acordo com a Polícia Civil, as provas reunidas indicam que os delitos não ocorreram de forma isolada, mas integravam uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções, habitualidade e atuação coordenada. Entre os crimes investigados estão estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição infantil, produção, armazenamento e compartilhamento de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes, uso de documento falso, aliciamento, perseguição reiterada (stalking) e coação no curso do processo.

 

A decisão judicial que autorizou as medidas destacou a gravidade concreta dos fatos, o risco elevado de reiteração criminosa e a possibilidade de destruição de provas — especialmente digitais — caso a ação policial não fosse imediata. Ainda assim, o caso expõe a dificuldade histórica de identificar, interromper e responsabilizar redes de exploração sexual infantil antes que elas produzam múltiplas vítimas.

 

Em nota, a Polícia Civil afirma que a operação busca cessar imediatamente a atuação criminosa, proteger a integridade física e psicológica das vítimas e garantir a efetividade da investigação. No entanto, especialistas apontam que casos como este reforçam a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção, detecção precoce e proteção de crianças e adolescentes, sobretudo em contextos de violência intrafamiliar, onde a subnotificação é regra e o abuso tende a se perpetuar por anos.



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