Arrecadação federal bate recorde, mas indústria patina
Por Redação
22/01/2026 às 13:35:01 | | views 3822
Brasil arrecadou R$ 2,89 trilhões em 2025, impulsionado por serviços, massa salarial e apostas online, enquanto setores produtivos e comércio de bens registram crescimento quase nulo.
A arrecadação da União com impostos e outras receitas atingiu R$ 2,89 trilhões em 2025, o maior valor já registrado, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (22). O resultado inclui também R$ 292,72 bilhões arrecadados em dezembro, o melhor desempenho já registrado para o mês.
O crescimento real em relação a 2024, ou seja, já descontada a inflação medida pelo IPCA, foi de 3,75% no ano e 7,46% em dezembro. Os números refletem tanto a expansão da economia quanto ajustes tributários, mas especialistas alertam que o crescimento é desigual entre setores e influenciado por medidas fiscais extraordinárias.
“São números bonitos, um crescimento importante, considerando o patamar alto do ano anterior”, afirmou Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, durante apresentação dos dados.
Os principais tributos que sustentaram o recorde incluem Imposto de Renda (IR), Contribuições Previdenciárias, IPI, IOF e PIS/Cofins. Também entram na conta valores de royalties e depósitos judiciais, não diretamente administrados pela Receita.
Crescimento concentrado em serviços e massa salarial
O desempenho positivo do ano foi puxado sobretudo pelo setor de serviços, que registrou crescimento de 2,72% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, e pelo aumento da massa salarial, que subiu 10,9% no mesmo período. Já a indústria praticamente estagnou, com alta de apenas 0,17%, e o setor de venda de bens recuou 0,16%, refletindo o desaquecimento em segmentos produtivos essenciais.
O IOF também teve peso relevante no resultado, registrando R$ 86,48 bilhões, alta de 20,54%. A Receita atribui parte desse aumento a operações de crédito e saída de moeda estrangeira, impulsionadas por alterações legislativas em 2025, algumas das quais foram posteriormente revertidas.
Resultados atípicos e efeitos legislativos
O crescimento real da arrecadação poderia ter sido ainda maior se não fossem eventos não recorrentes de 2024, como recolhimentos extraordinários de IRRF sobre fundos exclusivos e de IRPJ/CSLL, que não se repetiram em 2025. Segundo a Receita, sem essas operações, o avanço seria de 4,82% no ano.
Outro destaque é o crescimento exponencial da arrecadação com apostas online, que saltou de R$ 91 milhões em 2024 para quase R$ 10 bilhões em 2025, reflexo direto da regulamentação tributária do setor.
A arrecadação com PIS/Cofins aumentou 3,03%, e a receita sobre comércio exterior e rendimentos de residentes no exterior avançou 9,49% e 12,91%, respectivamente. O crescimento desses itens, porém, depende de fatores voláteis, como flutuação cambial, royalties e JCP (juros sobre capital próprio).
Recorde não apaga desaceleração estrutural
Apesar do recorde histórico, a arrecadação mostra sinais de desaceleração em setores estratégicos. O IRPJ/CSLL e o IPI avançaram apenas 1,27% cada, confirmando a estagnação da indústria. Economistas alertam que o desempenho robusto da arrecadação é parcialmente artificial, sustentado por ajustes fiscais e crescimento de setores específicos, enquanto a base produtiva do país continua fraca.
A Receita Federal disponibiliza os dados completos de arrecadação em seu site, mas analistas reforçam que o foco deve ser no equilíbrio entre crescimento tributário e sustentabilidade econômica, especialmente diante de uma indústria que não consegue acompanhar a expansão dos serviços e da massa salarial.
Comentários desta notícia 0
Comentários - ver todos os comentários
Seja o primeiro a comentar!


