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Na era da IA, demanda por Chief of Staff cresce


Por Redação

28/11/2025  às  14:33:19 | | views 4632


@Gemini

Função avança em grandes empresas como elo entre tecnologia, estratégia e decisões do alto escalão; especialistas apontam que presença humana continua indispensável


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A OpenAI, criadora do ChatGPT, abriu recentemente um processo seletivo para o cargo de Chief of Staff (CoS) em sua sede no Vale do Silício. A movimentação chamou atenção do mercado global ao evidenciar um paradoxo simbólico: mesmo uma empresa especializada em automação e inteligência artificial considera essencial contar com um profissional dedicado a organizar prioridades e apoiar a estratégia corporativa.

 

A decisão da companhia reforça uma tendência mais ampla no mundo do trabalho. Segundo projeção da Chief of Staff Association (CSA), até 2030 mais de 60% das empresas da Fortune 500 devem contar com um CoS entre seus principais executivos — avanço impulsionado pela necessidade de integrar tecnologia, visão humana e governança em ambientes cada vez mais complexos.

 

No Brasil, o movimento também ganha força com a expansão de iniciativas de formação e certificação para profissionais da área, especialmente em setores como finanças, tecnologia, marketing, recursos humanos e startups.

 

O papel do CoS na era dos dados

Tradicionalmente associado à alta administração pública norte-americana, o cargo de Chief of Staff ganhou espaço no setor privado pela capacidade de unir análise técnica, visão estratégica e coordenação executiva. Em empresas altamente digitalizadas, ele se torna responsável por conectar áreas, definir prioridades, acompanhar projetos transversais e apoiar a liderança em decisões rápidas.

 

“O CoS se tornou um pilar essencial em um cenário guiado por dados e inteligência artificial. É ele quem traz o olhar humano capaz de interpretar contextos e priorizar o que importa”, afirma Carolina Laboissière, diretora regional da CSA no Brasil e América Latina. “Vai além do apoio executivo tradicional: conecta áreas, traduz a visão da liderança e garante que cada iniciativa avance com precisão.”

 

Segundo levantamento da CSA, empresas que contam com o cargo registram melhorias na comunicação interna, maior assertividade estratégica e aceleração na execução de projetos. A demanda global por profissionais especializados cresceu cerca de 28% nos últimos dois anos.

 

Por que o cargo cresce nas empresas de ponta

A CSA aponta três razões principais para o aumento da presença de Chiefs of Staff em organizações tecnológicas e inovadoras:

 

1. Integração entre tecnologia e estratégia
Com o avanço da IA generativa, automação e analytics, cresce a necessidade de profissionais capazes de traduzir ferramentas tecnológicas em decisões de negócio. O CoS atua como mediador entre liderança executiva e áreas técnicas.


2. Governança e responsabilidade ética

Diante de riscos reputacionais e decisões automatizadas, o cargo ganha importância para estruturar práticas de compliance e garantir uso responsável de IA — especialmente em empresas que desenvolvem tecnologias sensíveis, como a OpenAI.


3. Eficiência e foco na execução
A IA acelera tarefas, mas também amplia o volume de informações. O CoS funciona como um “sistema operacional” da empresa, organizando prioridades, articulando equipes e otimizando processos.

 

Humanos ainda são indispensáveis — até para a IA

Para especialistas, a busca da OpenAI por um Chief of Staff ilustra uma realidade do mercado moderno: apesar dos avanços tecnológicos, empresas continuam precisando de alguém capaz de interpretar cenários, equilibrar interesses, organizar fluxos e transformar dados em ações.

 

“Estamos diante de uma mudança estrutural no modo de liderar organizações”, destaca Laboissière. “A inteligência artificial trouxe velocidade e complexidade, e o Chief of Staff ganha protagonismo para ajudar líderes a navegar esse novo cenário com clareza estratégica.”

 

Ferramentas como o ChatGPT são capazes de processar grandes volumes de dados e automatizar tarefas, mas não assumem sozinhas a curadoria, a prioridade e a interpretação contextual que sustentam decisões de alto impacto. E é exatamente nessa interseção entre tecnologia e humanidade que o Chief of Staff se torna peça-chave.



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