Ativistas invadem COP30 em Belém para cobrar transição justa
Por Redação
11/11/2025 às 18:52:37 | | views 3811
Manifestantes protestam contra lobistas de combustíveis fósseis e exigem financiamento climático
No segundo dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada pela primeira vez na Amazônia, dezenas de ativistas da Climate Action Network (CAN) invadiram a zona azul, área de negociações diplomáticas oficiais em Belém, nesta terça-feira (11). O grupo protestou com cartazes coloridos exibindo palavras de ordem como “transição justa”, “direitos”, “equidade”, “cuidado” e “justiça”.
O objetivo do ato era pressionar pela criação de um instrumento multilateral, chamado Mecanismo de Ação de Belém (BAM, na sigla em inglês), destinado a coordenar esforços internacionais, compartilhar conhecimentos, facilitar o acesso a financiamento e tecnologia e garantir que princípios de direitos humanos e inclusão sejam respeitados na transição energética.
Para Kevin Victor Buckland, da CAN, a ação é uma das poucas formas de a sociedade civil influenciar as negociações: “Dentro da conferência há milhares de lobistas dos combustíveis fósseis, com milhões de dólares de influência. Uma das poucas formas de a sociedade civil exercer poder é por meio de ações criativas, como a que acabamos de realizar, que ajudam a moldar as narrativas da mídia global e pressionar diretamente as negociações.”
Buckland comparou a disputa à história de Davi contra Golias, ressaltando o contraste entre os manifestantes, muitos dormindo no chão do local em sinal de compromisso com a causa, e os lobistas pagos para proteger interesses corporativos que, segundo ele, “deixarão para seus próprios filhos um trabalho de destruição que depois eles mesmos terão de tentar consertar”.
A COP30, realizada pela primeira vez na Amazônia, bioma com a maior biodiversidade do planeta e reconhecido como regulador climático global, enfrenta o desafio de colocar novamente as mudanças climáticas no centro da agenda internacional. O protesto da CAN reflete a pressão de organizações da sociedade civil que buscam garantir financiamento climático adequado e ações concretas em favor das comunidades mais vulneráveis, enquanto governos discutem metas de redução de emissões, adaptação e transição energética.
A entidade articula uma rede global de mais de 1,9 mil organizações em mais de 130 países, e defende que aqueles que causaram a crise climática, incluindo indivíduos e empresas beneficiados economicamente, devem arcar com os custos das ações de mitigação e apoio às populações mais afetadas.
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