Braskem fecha acordo de R$ 1,2 bi por desastre em Maceió
Por Redação
11/11/2025 às 10:40:22 | | views 3811
Companhia pagará indenizações em dez anos por danos causados pela extração de sal-gema que levou ao afundamento do solo em cinco bairros da capital alagoana
A Braskem firmou um acordo de R$ 1,2 bilhão com o governo de Alagoas para indenizar o estado pelos danos provocados pelos desmoronamentos de solo registrados em Maceió. O desastre geológico, que começou em 2018, foi atribuído à extração de sal-gema realizada pela companhia em áreas subterrâneas da capital.
Segundo comunicado divulgado pela empresa na noite de segunda-feira (10), o valor será pago ao longo de dez anos, com R$ 139 milhões já desembolsados. As parcelas anuais restantes serão corrigidas e ajustadas de acordo com a capacidade de pagamento da companhia, especialmente após 2030.
“O acordo prevê a compensação, indenização e ressarcimento ao estado para a reparação integral de todo e qualquer dano patrimonial e extrapatrimonial”, informou a Braskem em nota a investidores.
O entendimento ainda depende de homologação judicial. Com a formalização, o governo de Alagoas deverá encerrar a ação judicial que move contra a empresa pelos danos ambientais e socioeconômicos.
Impactos do desastre
O afundamento do solo em Maceió afetou cinco bairros — Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol — e obrigou mais de 60 mil pessoas a deixarem suas casas. Desde 2018, milhares de imóveis foram condenados, e grandes áreas da cidade permanecem desocupadas.
Em novembro de 2023, a prefeitura de Maceió decretou estado de emergência devido ao risco de colapso de uma das minas de sal-gema, após novos sinais de instabilidade. A Defesa Civil monitorou diariamente a movimentação do solo, enquanto a Polícia Federal abriu investigação para apurar responsabilidades. No mesmo mês, 20 pessoas foram indiciadas, e o caso foi encaminhado à 2ª Vara Federal de Alagoas.
Disputa judicial e indenizações
As ações civis públicas relacionadas ao desastre seguem em andamento. Em julho de 2025, a Defensoria Pública de Alagoas protocolou um novo pedido de indenização de R$ 4 bilhões, alegando desvalorização de imóveis em bairros vizinhos à área afetada.
Além dos acordos judiciais, a Braskem mantém um programa de compensação e realocação de famílias, supervisionado por órgãos públicos. O cronograma de recuperação da área ainda depende de estudos técnicos e de estabilidade geológica.
Histórico e estrutura da empresa
A Braskem é controlada pela Novonor (antiga Odebrecht) e tem a Petrobras como acionista relevante, com cerca de 47% das ações com direito a voto. A companhia afirma que o acordo com o governo alagoano representa “um importante avanço na reparação dos impactos do evento geológico” e reforça o compromisso da empresa com as autoridades locais.
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