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Desemprego atinge mínima histórica de 5,8%, mas informalidade cresce


Por Redação

31/07/2025  às  11:09:04 | | views 3808


@Pavel Chernonogov

Apesar de recordes em emprego com carteira assinada e salário médio, quase 38% dos trabalhadores seguem na informalidade, e 2,8 milhões continuam fora da busca por trabalho


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O Brasil encerrou o segundo trimestre de 2025 com a menor taxa de desemprego já registrada pela série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012: 5,8%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa uma queda significativa em relação ao primeiro trimestre do ano (7%) e ao mesmo período de 2024 (6,9%).

 

A marca é historicamente relevante, mas oculta fragilidades estruturais do mercado de trabalho brasileiro, como a persistente informalidade, que atinge 37,8% da força de trabalho, e um contingente ainda expressivo de desalentados — 2,8 milhões de pessoas que desistiram de procurar emprego.

 

Apesar dos avanços, especialistas alertam que a taxa de desocupação não capta a totalidade dos desafios enfrentados por trabalhadores em ocupações precárias, de baixa remuneração ou sem proteção social. A mesma pesquisa mostra que 13,5 milhões de brasileiros atuam sem carteira assinada, um crescimento de 2,6% em relação ao trimestre anterior.

 

Alta na ocupação e nos rendimentos

O número total de pessoas ocupadas chegou a 102,3 milhões, com um acréscimo de 1,8 milhão de trabalhadores em relação ao primeiro trimestre. O total de empregados com carteira assinada no setor privado também atingiu o maior nível já registrado: 39 milhões.

 

O rendimento médio mensal subiu para R$ 3.477, o mais alto da série histórica, e a massa de rendimentos chegou a R$ 351,2 bilhões, impulsionada tanto pelo crescimento do emprego formal quanto pelo reajuste dos salários. Ainda assim, a desigualdade regional e setorial persiste: os ganhos se concentram nos segmentos mais organizados da economia e nas regiões Sul e Sudeste.

 

Dados revisados após o Censo 2022

A edição da Pnad Contínua divulgada hoje é a primeira a incorporar a nova ponderação baseada no Censo Demográfico de 2022, o que garante maior representatividade às estimativas. A atualização metodológica é importante, mas também impõe cautela na comparação com levantamentos anteriores.

 

A Pnad considera como desempregado apenas quem está efetivamente em busca de trabalho, o que exclui os desalentados do cálculo — grupo que, embora menor, ainda reflete uma parcela da população sem perspectiva de inserção no mercado.

 

Análise: bons sinais, mas mercado ainda é frágil

A menor taxa de desemprego da série histórica é um dado positivo, mas deve ser analisado em conjunto com a alta informalidade, o número de trabalhadores por conta própria sem CNPJ e a baixa cobertura previdenciária que acompanha parte das novas ocupações.

 

Ao mesmo tempo, a expansão do emprego formal e o aumento do rendimento real indicam uma recuperação do mercado de trabalho mais sólida do que a observada nos anos anteriores, especialmente no pós-pandemia. No entanto, a qualidade do emprego gerado segue como principal desafio: a informalidade reduz arrecadação, limita o consumo sustentável e expõe milhões de trabalhadores à instabilidade.

 

Para que os indicadores positivos se consolidem em avanços estruturais, economistas apontam a necessidade de políticas públicas voltadas à qualificação profissional, fortalecimento da proteção trabalhista e redução das desigualdades regionais.



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